ACESSO PARA DIOCESES E ESCOLAS

UTILIZADOR:  
PASSWORD:    

"A Bondade e a Fé", nº17/18 da PC

Para todos os que colaboramos quotidianamente com a Comissão Episcopal da Educação Cristã através do nosso trabalho no Secretariado Nacional que esta tutela, este é um número especial da nossa Revista «Pastoral Catequética».

Intitulado «A Bondade e a Fé», prolonga a reflexão iniciada no número 16 (beneficiando, pois, de uma leitura que abarque toda a edição de 2010) e oferece-nos as comunicações apresentadas nas Jornadas Nacionais de Catequistas que tiveram lugar em Março, sob o tema «A Espiritualidade do Catequista - Vivência e Transmissão da Fé». Encontramos, assim, e as conferências de D.António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, do P. Hélder Fonseca e de António Bagão Félix, três abordagens, simultaneamente pessoais e universais, da vida na fé, ao alcance do cristão de hoje, assim ele ou ela se queiram abrir ao projecto de Deus para a humanidade. Igualmente descobrimos neste número, já no registo de intensos testemunhos, os textos de Isabel Oliveira e Duarte Vidal, e as propostas de trabalho para os catequistas que nos deixaram a Ir.Alda Rego («Educar para a Oração») e o P.José Henrique Pedrosa («O sacramento da reconciliação na infância»). 

Este número duplo oferece ao leitor uma segunda parte que edita algumas das mais relevantes conferências da 2ªedicção do «Seminário das Escolas Católicas» e termina com dois estudos. O primeiro, de D.José Policarpo, fala-nos da infância: «Um dos sinais da harmonia e da maturidade de uma comunidade humana, trate-se da família, da Igreja ou da sociedade, exprime-se no lugar que dá às crianças como seus membros de pleno direito, reconhecendo o contributo que dão à comunidade, tão ou mais importante e decisivo como o de todos os outros seus membros. Não se trata apenas de respeitar as crianças que ainda o são pela idade e fase de desenvolvimento; trata-se de um desafio a que todos os membros da comunidade, em qualquer idade e em todas as idades, não apaguem no seu coração a criança que já foram e que permanece como modelo inspirador do que desejariam ser, no melhor dos seus ideais. Ao falar dos desafios colocados pelas crianças à Igreja e à sociedade, não me referirei apenas às crianças definidas como grupo etário, mas à criança que continua a existir em cada um de nós e que é anseio de simplicidade de vida e de amor experimentado como ternura, desejo de mitigar a racionalidade da nossa vida com a mensagem abrangente dos símbolos e convite da vida a descobrir e a construir em cada dia mais, atraídos pela sua plenitude. A minha chave de leitura é mais bíblica e teológica do que filosófica. Espero que seja também poética, homenagem prestada a figuras modelo que me ajudaram, em todas as fases da minha busca da maturidade, a guardar a criança que há em mim e que, desejo profundamente, seja o último rosto da minha vida neste mundo. Não gostaria de acabar "infantil"; mas desejaria muito morrer com um coração de criança.» (D.José Policarpo, Pastoral Catequética n.17/18,  p.145). O segundo, do P.Francisco Couto, trata um importante conjunto de questões sobre o catecumenado: «A fé evangélica não é um facto da natureza, não nasce com o homem, não se adquire automaticamente só pelo facto de existirmos ou termos nascido. Acreditar é um acontecimento que surge, que desponta na existência e que se releva na história. Tertuliano afirmava que nós não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos[1]. A fé, o ser cristão é dom, acontecimento e é o acto do Baptismo que manifesta esta gratuidade ou esta contingência. Hoje, algo mudou em relação ao tempo de Tertuliano e, provavelmente, mais que um tornar-se, o cristão surge como algo que é feito. Como diz H. Bourgeois, podíamos alterar um pouco a expressão de Tertuliano e afirmar: «é-se feito cristão, devemos tornar-nos» (ibid, p. 159).

Se este número se intitula a «A Bondade e a Fé» foi porque nos inspirámos, «para o título, na homilia preparada por D.Tomaz da Silva Nunes para a Celebração Eucarística da abertura do Seminário das Escolas Católicas ... a que ele deveria presidir se, algumas horas antes, Deus não o tivesse chamado a partilhar definitivamente a glória do Seu reino» (Diác.Acácio Lopes, Editorial), homilia essa que partilhamos com o leitor, na amizade a quem nos acompanhou no trabalho pastoral e sempre nos inspirou no sentido de nos entregarmos e nos superarmos no campo da Missão, com a inteligência e o coração.

«Seguidores de Cristo, devemos autenticar a nossa condição de discípulos com o testemunho de uma bondade como a sua, fruto do nosso esforço pessoal e da acção do Espírito Santo em nós, particularmente através da Palavra de Deus e da sua vida sacramental.

Não se trata de simples bem-fazer, fruto de altruísmo, de sentimento de comiseração ou de imperativo cívico. Não! A bondade do cristão parte do coração, mas de um coração convertido ao coração de Cristo. Então, derrubam-se os muros que tantas vezes limitam as relações humanas a um círculo restrito de pertença social, ideológica ou religiosa, para garantir tranquilidade, ausência de conflitos e protecção do esquema de vida privada.

Cristo mostrou aos discípulos que a bondade para com os outros, incluindo os pertencentes às multidões, continua a ser uma exigência mesmo se as capacidades físicas parecem esgotadas. Quando, no final do dia de intensa actividade, os discípulos quiseram que Jesus despedisse a multidão para que adquirisse alimento, o Senhor contrariou-os: "Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer" (Jo 14, 16).» (D.Tomaz Silva Nunes, Pastoral catequética n.º17/18, p. 96).

Cristina Sá Carvalho, Editora


[1] «Fieri enim, non nasci solet Christiana»: Tertullianus, De testimonio animae, I, 6, in CCL 1, ed. R. Willems, 1954, 176.




© SNEC, Todos os Direitos reservados | Contactos |