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«Um olhar retrospectivo para a Catequese em Portugal»

Em 1962 foi feito, em Portugal, um inquérito sobre a catequese. Numa população com pouco mais de oito milhões de habitantes, havia quase um milhão de crianças, entre os seis e os onze anos, das quais 65% frequentavam a catequese. As catequistas eram perto de cinquenta mil, sendo quase todas (90%) solteiras e mais de metade (58%) com idade superior a dezoito anos. Quanto a habilitações literárias, 63% não ultrapassavam a quarta classe e 62% não tinham feito qualquer curso de formação. Era o tempo do Catecismo Nacional em quatro volumes.

O sínodo de 1977, dedicado à catequese, foi antecedido, em Portugal, de outro inquérito sobre a catequese. No documento enviado para Roma, referia-se a predominância de catequistas com formação rudimentar e a necessidade de que as comunidades paroquiais assumissem as suas responsabilidades catequéticas. Também se lamentava a falta de catequese para a adolescência e considerava-se urgente a elaboração de um projecto global de catequese.

Não há dúvida de que nalguns aspectos hoje estamos bem melhor. Temos um projecto de catequese bem definido para dez anos, que inclui a catequese para a adolescência. As habilitações literárias das catequistas estão muito acima da quarta classe. No entanto, diminuiu a vivência cristã da população em geral. O ambiente sócio-cultural está em processo de laicização e de degradação ética. As famílias exercem menos influência na educação dos filhos. A catequese é mais escolar e está mais dissociada da vida comunitária. Os catequistas têm menos vivência cristã e, porventura, menos formação doutrinal, embora tenham mais cultura geral.

Neste contexto, a catequese de Iniciação Cristã afigura-se como uma urgência. Parece ter chegado o tempo de corresponder às propostas do II Concílio do Vaticano  que advogavam a renovação da catequese e o restauro do catecumenado. O catecumenado foi restaurado mas ainda não se tornou prática habitual. Entre nós tem havido esforços redobrados para renovar a catequese, embora nem sempre coroados de êxito, porque ainda há alguns sectores importantes que não foram atingidos pela desejada renovação. É caso para perguntar: então que nos falta? Tentarei apresentar alguns elementos de resposta a esta questão.»

D. José Alves, Arcebispo de Évora

Extracto da Introdução apresentada no painel «Conjugar esforços em torno da pastoral da infância e da adolescência», no Encontro Nacional de Secretariados da Catequese 2009, sob o título «A Pastoral da Iniciação Cristã - olhares sobre a realidade».

Pode ler este texto na íntegra no próximo número, o nº 15, da nossa revista «Pastoral Catequética», a editar brevemente. Poderá encontrar, ainda, um outro belo texto, desta feita assinado por D.Manuel Madureira Dias, Bispo Emérito do Algarve, e dedicado a uma das áreas em que sua excelente reflexão se tem destacado: «A iniciação cristã - Problemáticas de actualidade: o discipulado; o papel da família.»

E, ainda, neste nº 15 da «Pastoral Catequética» as Conferências e Ateliers das Jornadas Nacionais de Catequistas 2009, na altura em que estamos já a ultimar a organização das Jornadas 2010, que decorrerão no Seminário do Verbo Divino, em Fátima, de 12 a 14 de Março.

Departamento de Catequese
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