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Educação: O professor ajuda o aluno a «identificar-se» e a ser livre

Teresa Bartolomei apontou como "vital" a presença do professor de EMRC numa escola "cada vez mais formatada" e explicou a influência destes profissionais na sua própria formação académica

A docente da Universidade Católica Portuguesa, especializada em literatura e linguagem, foi a convidada do Secretariado Nacional da Educação Cristã na formação de diretores diocesanos da EMRC sobre liderança onde refletiu sobre o tema «A Pedra Removida – A novidade da Vida Pascal na coordenação pastoral e educativa dos professores».

Ao Educris, e no final do encontro, acedeu a uma breve entrevista onde apontou os desafios da pós-modernidade do cristianismo numa sociedade em mudança.

Educris: Podemos afirmar, ou pelo menos intuir, que o problema do cristianísmo atual reside, em grande medida, no fechar o coração e a razão ao ressuscitado

Teresa Bartolomei: A experiência relatada nos evangelhos mostra-nos s nossa própria dificuldades de recebermos e acolhermos o grande mistério de regeneração da história que é a presença do ressuscitado. Quanto mais formos capazes de acolher a novidade, conformarmo-nos a elas e não ficarmos agarrados às nossas imagens preconcebidas de Deus e da Religião seremos operadores dessa novidade e assim mais creditáveis na sociedade.

Uma aceleração comparável à de Guttenberg

Educris: Os cristãos, fechados à novidade e às supresas do ressuscitado, são então os grandes responsáveis pela não adesão ao cristianismo por parte dos seus contemporâneos?

Teresa Bartomolei: Existe uma grande mudança hoje. Vivemos um corte acelerado com o passado. Todas as instituições tradicionais estão em crise e não só a instituição Igreja. Vemos que os indivíduos atualmente estão afastados do próprio estado, dos partidos, uma desconfiança que chega às autoridades e às tradições. A Igreja tem uma história e é identificada com esse sistema social que hoje é desafiado por fenómenos como a globalização e a evolução da própria linguagem que utilizamos. Creio que a aceleração que hoje vivemos só é comparável à invenção da imprensa, por Guttenberg, mas hoje é ainda mais rápida e radical. É a mesma mudança, mas exponencialmente multiplicada. Um saber transmitido através de livros hoje é transmitido com tempos e espaços completamente diferentes. O controlo e a mediação desta informação tornam-se mais complicada. Temos de encontrar novos modos de partilhar as experiências e o conhecimento.

Educris: Viveu e cresceu na década de 60 do século passado, também ela um período de grandes e radicais mudança com revoluções e contrarrevoluções vividas num período de “libertação” e, ao mesmo tempo, de guerra fria. Lembrou-nos que o professor de EMRC a ajudou muito a ser quem é hoje. Que desafios se colocam hoje aos professores num contexto tão diversas como a de hoje.

Teresa Bartolomei: Penso que as exigências básicas do jovem são sempre as mesmas,não obstante a grande aceleração e mudança da sociedade. O professor pode ser uma ponte entre o mundo pequeno e afetivo da família e o mundo impessoal da sociedade. Tem de ser uma presença que se impõe não pelo poder, mas pela autoridade. Hoje o poder do professor é mínimo, mas a autoridade pode ser enorme. Se conseguir instituir uma ligação afetiva e moral, sendo credível no papel, pode desenvolver uma função importantíssima. O professor sofre hoje a descredibilização da instituição. Antigamente o estatuto do docente não era contestado. Hoje o professor tem de “ganhar” contra uma resistência, desinteresse, descuido e contra uma não expetativa perante a escola e a cultura. Hoje o que mais importante é o que tens, o quanto és bem-sucedido, quanto mais apareces. Antigamente o saber era o mais importante. Esta mudança é real e o professor tem de lutar contra isto.

Hoje precisamos de perceber que sem cultura o homem é mais pobre e dependente de poderes que não sabe reconhecer. A cultura é liberdade. Neste sentido o professor de EMRC é uma voz, na escola, que mantém aberta esta consciência de que o saber transmitido na escola é conhecimento e não só informação. É algo que ajuda a pessoa a identificar-se, a ganhar esta liberdade. O professor de EMRC é indispensável nisto. Hoje também a escola está em mudança para uma máquina de distribuição de competência. Tudo é formato em prazos e objetivos. Perde-se o sentido da educação que é este saber acerca da pessoa. A EMRC pode trazer à escola o ponto de encontro entre estas duas visões.

Educris|18.02.2019

 

 




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