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É preciso reavivar a «paixão da catequese nos Bispos e nos sacerdotes»

Ao EDUCRIS o presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF), D. António Moiteiro, explicou os passos “da transformação da catequese” em Portugal e sustentou a necessidade de “reavivar a paixão da catequese nos Bispos e nos sacerdotes”.

Educris: Na sua intervenção aos responsáveis diocesanos procurou recordar a centralidade da catequese na missão da Igreja a partir de vários documentos do magistério…

D. António Moiteiro: Quis, na minha intervenção, começar por realizar um percurso, desde o Concílio Vaticano II, acerca do que foi dito aos bispos e aos sacerdotes sobre a catequese. Uma das notas é que não existindo um documento específico sobre a catequese os padres conciliares pedem aos bispos «espaços, tempo e pessoas» no campo da educação cristã na diocese e nas paróquias. Se olharmos para o caso português podemos afirmar, com segurança, que foram os sacerdotes, na sua paixão pela catequese, aqueles que marcaram os ritmos de renovação do setor em Portugal.

Educris: Uma paixão que vinha do renovamento catequético dos anos 50 do século passado…

D. António Moiteiro: precisamente. Vemos isso em Portugal quando, na década de 60, do século passado, a maior parte dos sacerdotes a fizeram cursos de catequese promovidos pelos secretariados diocesanos. Tratou-se de um claro sinal de renovação de transformação de mentalidades que levou a toda esta pastoral catequética tão intensa como hoje a vemos no nosso país.

Educris: Hoje a maior parte dos catequistas são leigos que se empenham neste campo. Que papel está reservado aos sacerdotes e aos Bispos?

D. António Moiteiro: O documento sobre a Catequese  do Papa João Paulo II [ndr: Catechesi  Tradendae] lembra aos bispos que estes devem procurar que a catequese esteja bem organizada e implementada mesmo que outras atividades fiquem num segundo plano. Também aqui a catequese deve ser entendida como a tarefa prioritária da vida dos bispos e dos sacerdotes. Sentimos hoje um certo arrefecimento desta paixão pela catequese por parte de muitos sacerdotes. Porque se desenvolveu muito o campo da liturgia das nossas paroquias e por que este sinal externo parece ser mais ‘apetecível’ do que estar, semana após semana, com um grupo difícil de catequese.

Precisamos que os bispos e os padres voltem a esta paixão para que a catequese seja uma dimensão fundamental da nossa pastoral. Isto fará com que os catequistas leigos, a quase totalidade deste setor, se sinta apoiada na sua formação, no trabalho semanal de ligação às famílias. Isto só será real que os sacerdotes estiverem perto deles e das suas catequeses.

Educris: Em maio de 2017 a Conferência Episcopal lançou uma nova Carta Pastoral para o Setor da Catequese. A prioridade voltou a ser a catequese? O que está a mudar?

D. António Moiteiro: Constituímos há ano e meio uma equipa com experiência na catequese e nas ciências sociais que acaba de apresentar a formação «Ser catequista». Esta tem mais ou menos as mesmas horas de formação que o anterior curso de iniciação com mais de vinte e cinco anos. Os temas, que são seis e se subdividem em doze, estão em análise na Comissão Episcopal da Educação Cristã para entrarem à experiência durante um ano. Queremos que a formação dos catequistas seja realizada em chave sinodal. Vamos ter uma formação com um ano de experiência de modo a que todos possam apresentar propostas de melhoramento. Desejamos que a formação final possa ser apresentada daqui por ano e meio a dois anos já com os vários contributos. O «Ser Catequista» deve estar já disponível para a formação dos catequistas no início do próximo ano pastoral.

Educris|23.04.2019



Recursos:
Formar o «Ser» do catequista - Um novo paradigma para o Setor:



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