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CIC: Conclusões

Octavio Ruiz Arenas, secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização acaba de apresentar, aos 1600 catequistas as conclusões, em jeito de síntese[1], do congresso Internacional da Catequese.

1. A igreja é o primeiro sujeito de evangelização que se preocupa em anunciar o evangelho também aos não crentes, aos batizados que vivem em indiferença religiosa. A comunidade cristã é, portanto, a origem, o lugar e a meta da catequese. Ela proclama o Evangelho, chama à conversão e seguimento de Cristo e não apenas acompanha os catecúmenos, mas forma e acompanha aqueles que servem na Igreja, como catequistas.

2. Ser catequista é uma vocação, não um trabalho. Uma vocação que exige testemunhar permanentemente a fé, o seu amor a Cristo, doando-se a si mesmo ao povo de Deus. O catequista deve portanto repartir com os outros a Cristo, ter uma grande familiaridade com Ele, e deixar-se olhar pelo senhor na frente do sacrário.

Da mesma maneira há-de imitá-lo andando com os outros e oferecer-lhes o dom da fé, sem medo de ir para os subúrbios existenciais, porque o Senhor sempre vai á frente, dá força e acompanha.

3. O mundo de hoje exige dos catequistas uma grande criatividade, simplicidade de vida, espirito de oração, obediência e humildade, renuncia de si mesmo, muita generosidade e autentica caridade para todos, em particular com os pobres; Por outras palavras, é necessário que a todo e qualquer momento possam testemunhar alegremente a santidade da vida;

4. A catequese é o palco privilegiado de evangelização que faz parte do serviço que é devido, em primeiro lugar, à Palavra de Deus, devendo identificar as formas adequadas para que o Evangelho seja sempre percebido como a palavra de Deus que salva. O catequista, de fato, não transmite o conhecimento humano, mas comunica na sua totalidade Revelação de Deus

5. Se a igreja embarcou num caminho da Nova Evangelização, a catequese não permanecer com as mesmas características do passado, mas deve renovar a sua forma de transmitir a fé, com novas abordagens de ensino, após um diagnóstico sério da situação da fé hoje e como educar, tomando em linha de conta o equilíbrio entre termos bíblicos doutrinais e a necessária reformulação das palavras que facilita a compreensão daqueles que são catequizados, sem trair o seu sentido profundo;

 

6. Porque no mundo de hoje há muitas pessoas que dizem não acreditar, não conhecendo o conteúdo da fé e não tem uma verdadeira pertença à Igreja, ou porque não fizeram a escolha da fé, é muito importante levar a sério o catecumenato, não só como preparação para o batismo , mas como um instrumento para a transformação de toda a existência em Cristo. É importante tomar em consideração o catecumenado não só como preparação para o Batismo, mas como instrumento de transformação de toda a vida das pessoas em Cristo;

7. Numa sociedade marcada pelo relativismo, no qual a busca de Deus parece não interessar mais e a verdade se recebe com desconfiança, devemos apresentar a pessoa de cristo como é ensinada pela Igreja e como esta verdade ilumina o mistério do Homem por inteiro. È necessário, no entanto, que o façamos com clareza, o mesmo é dizer, com confiança filial, com alegre segurança, com ardor e com humilde audácia, deixando-nos guiar  pelo Espírito Santo, com o entendimento que é Cristo que nos ensina através da Igreja.

8. Hoje, mais do que nunca, deve explicitar-se a dimensão missionária da catequese e isso exige em uma séria formação dos catequistas. Uma formação que seja capaz de combinar o conhecimento da fé e o testemunho da vida.

9. A catequese deve estar unida à liturgia para que nela se torne presente o projeto de amor que o Pai tem para nós; Para transmitir e dar testemunho da verdade revelada é necessário deixar que o Senhor abra os nossos olhos para a luz da fé, como aconteceu com os discípulos de Emaús. A catequese, portanto, deve estar próxima, e mesmo profundamente unida à liturgia, que é o espaço mais adequado para falar sobre o mistério em si, e na qual a plenitude do plano de amor do Pai se torna presente.

10. É necessário fazer compreender aos fiéis que a fé é dom de Deus, mas também uma resposta livre de cada um de nós. Não se trata de um ato isolado, individual, mas de um ato pessoal e eclesial. Para isso a catequese recebida na Igreja, o seu objeto, isto é, o mistério de Cristo; o seu ambiente vital, é a comunidade cristã, e o seu objetivo consiste em fazer do crente um membro ativo na vida e na missão da Igreja.

11. A missão de Deus deve ser ligada à memória evangélica de Jesus e à memória apostólica da fé n'Ele. A memória de Jesus como princípio e norma, que reabre o sentido universal da origem comum e destino, e cuja garantia está registada no credo; a memória fidei como argumento da coerência teológica presente na Didaskalia. O evangelho escrito permite-nos compreender a correlação entre a história de jesus e o acesso à fé e mostra a força com que o acontecimento do Senhor, sustenta a nossa fé na história da Igreja e da evangelização. Todavia, é letra morta e a tradição sem a escritura perde as suas raízes na inspiração divina e arrisca-se a ser apenas uma obra humana.

 

12. Para a transmissão da fé deve-se sempre conservar pura a memória apostólica, mas buscando um modo de comunicar que vá para além da linguagem que apenas nós, os crentes conhecemos e acreditamos e que, por vezes, é convertida numa linguagem de simples refrão de sobrevivência; por isso devemos encontrar palavras de vida eterna capazes de fazer desejar o encontro com Jesus.

13. Os modernos media tentam camuflar e manipular a mensagem Cristã. Por isso, devemos conhecer as técnicas de comunicação para podermos comunicar duma forma adequada, para apresentar os ensinamentos da Igreja, para comunicar com sucesso o verdadeiro rosto de Deus pleno de amor e misericórdia. O mundo digital e as redes sociais, não obstante o perigo que possam apresentar, devem ser instrumentos que devemos utilizar para fazer ouvir a mensagem do Evangelho no mundo contemporâneo.

14. Perante os grandes desafios que se apresentam hoje para uma diaconia da verdade, de modo particular por causa do crescimento do fenómeno da secularização, devemos penetrar no mistério de Cristo, mas também no testemunho da fé dos crentes, com uma profunda consciência da história, da tradição e da vida da Igreja. A catequese aliás, para transmitir a mensagem de Cristo é convidada a apresentar com clareza a visão cristã do Homem, que ofereça o pleno significado da vida humana e a sua vocação para a vida eterna.

O catequista: Um genuíno ministério


Depois da apresentação das conclusões Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, aproveitou para agradecer a todos: “Quero dizer um obrigado sincero e sentido a todos os que aceitaram o nosso convite. Deram uma grande resposta de fé e disponibilidade, pois sei que para muitos foi um grande sacrifício estar aqui, mas foi um verdadeiro momento de graça e isto é o que devemos levar connosco”.

Relembrando que a “a celebração da Eucaristia é o cúmulo da nossa existência de fé”, anunciou que estes congressos não terminarão com este mas que “já se começou a pensar no caminho” e começam a surgir “temas e ideias”, disse sem anunciar local ou data para o novo Congresso.

No final do Congresso Internacional da Catequese o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização recordou Paulo VI que na sala dos Sínodos formulou um desejo: “Paulo VI, em 1974, na sala do Sínodo, disse que era necessário introduzir novos ministérios na Igreja, e falava do catequista. Passaram 40 anos e estamos ainda no ponto de partida, mas nós vamos levar adiante com consciência esta dimensão, porque o catequista é um genuíno ministério na Igreja, feito em nome da Igreja e para a Igreja, e por isso devemos ser investidos pela Igreja com esta responsabilidade”.

Para terminar voltou à sessão de abertura para reafirmar um pedido muito escutado durante os trabalhos: “Nunca tentemos transformar Deus. É Deus quem nos transforma se estivermos disponíveis e o deixarmos», disse.

Peregrinação dos Catequistas em Roma

Hoje e amanhã, e acabado o Congresso internacional os 1600 catequistas participantes juntam-se aos cerca de 20 mil catequistas que são esperados para a Peregrinação dos Catequistas, que teve o seu inicio nesta manhã com catequeses em algumas igrejas de Roma, e vai continuar, já esta tarde, com a peregrinação ao túmulo do Apóstolo Pedro para a Professio Fidei, a profissão de fé que cada catequista é convidado a realizar nesta peregrinação, que será realizada por grupos linguísticos. Amanhã a Eucaristia será presidida pelo Papa Francisco que encerrará oficialmente este Congresso dedicado aos catequistas e enquadrado nas comemorações do Ano da Fé que vê assim o fim a aproximar-se.



[1] O documento foi apresentado pela organização do Congresso em italiano. Esta é uma tradução livre do texto original. Logo que o mesmo seja disponibilizado em português o www.educris.com vai disponibilizá-lo.




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