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Discurso do Papa à Congregação para a Educação Católica

O Papa Francisco encontrou-se ontem, dia 9 de fevereiro, com os representantes da Congregação para a Educação Católica reunidos em Roma em Assembleia Plenária.

Disponibilizamos, na íntegra, o texto do seu discurso.

 

Queridos irmãos e irmãs,

Agradeço ao Cardeal Prefeito as suas palavras de introdução e saúdo, cordialmente, os membros da Congregação para a Educação Católica, recentemente nomeados, entre eles também o novo prefeito, que pela primeira vez, preside à assembleia plenária. Saúdo os membros da Fundação Gravissimum Educationis, recentemente formada para relançar o conteúdo da declaração conciliar.

Nestes dias estivestes a refletir muitos temas, de modo a fazer um balanço do trabalho do dicastério nos últimos três anos e para traçar as diretrizes para o futuro.

As áreas do vasto campo da educação, que são da responsabilidade da vossa congregação, têm vindo a empenhar-vos na reflexão e discussão sobre vários aspetos importantes, tais como a formação inicial e contínua de professores e gestores, a necessidade de uma educação inclusiva e informal; a contribuição insubstituível das congregações religiosas, bem como o apoio que pode vir das Igrejas particulares e organizações do setor.

Uma boa parte do vosso trabalho foi dedicado às universidades eclesiásticas católicas para a atualização da Constituição Apostólica Sapientia Christiana; na promoção dos estudos de Direito Canónico em correlação com a reforma da declaração de nulidade dos processos matrimoniais e para apoiar o ministério universitário. Tivestes, ainda oportunidade de oferecer orientações claras para o aumento da responsabilização de todos aqueles que estão envolvidos no campo da educação.

Como recordei na Evangelii Gaudium, «As universidades são um âmbito privilegiado para pensar e desenvolver este compromisso de evangelização de modo interdisciplinar e inclusivo; as escolas católicas […] constituem uma contribuição muito válida para a evangelização da cultura, mesmo em países e cidades onde uma situação adversa nos incentiva a usar a nossa criatividade para se encontrar os caminhos adequados» (nº134).

Neste horizonte de evangelização sinto-me impelido a convosco partilhar algumas ideias e expetativas.

Em primeiro lugar, e perante um individualismo intrusivo, que torna tudo humanamente pobre e culturalmente estéril, é necessária uma verdadeira humanização da educação. A escola e a Universidade apenas têm sentido pleno se formarem a pessoa humana. Neste processo de crescimento humano todos os educadores são chamados a colaborar com o seu profissionalismo e com a riqueza da humanidade que trazem, para ajudar os jovens a serem construtores de um mundo mais solidário e pacífico. Com maior dever as instituições educativas católicas têm a missão de oferecer horizontes abertos à transcendência. A Gravissimum Educationis lembra que a educação está ao serviço de um humanismo integral e que a Igreja, qual mãe educadora, guarda e olha sempre para a geração mais jovem na perspetiva da «formação da pessoa humana em ordem ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem das sociedades de que o homem é membro e em cujas responsabilidades, uma vez adulto, tomará parte» (n. 1).

Uma segunda perspetiva é a de ajudar a fazer crescer a cultura do diálogo. O nosso mundo tornou-se uma aldeia global com múltiplos processos de interação, em que cada pessoa pertence à humanidade e compartilha a esperança de um futuro melhor com toda a família das nações. Ao mesmo tempo, infelizmente, há muitas formas de violência, pobreza, exploração, discriminação, marginalização, abordagens restritivas às liberdades fundamentais que criam uma cultura do descartável.

Neste contexto, as instituições educativas católicas são chamadas, em primeiro lugar, a praticar a gramática do diálogo que forma para o encontro e para a valorização da diversidade cultural e religiosa. O diálogo, de facto, educa a pessoa a relacionar-se com respeito, estima, sinceridade, expressando-se e ouvindo o outro com autenticidade, sem desfocar ou mitigar a sua identidade que está nutrida da inspiração evangélica. Assim se encoraja a convicção de que as novas gerações, educadas cristãmente para o diálogo cristão vão sair das salas de aulas e das escolas e universidades motivadas a construir pontes e, portanto, a procurar novas respostas para os muitos desafios do nosso tempo. Em sentido mais restrito as escolas e as universidades estão chamadas a ensinar um método de diálogo intelectual com vista à procura da verdade. São Tomás tem sido e ainda é um mestre deste método, que consiste em tomar a sério a outra pessoa, o interlocutor, procurando conhecer a fundo as suas razões, as suas objeções, para ser capaz de responder-lhe de uma forma não-superficial e adequado. Só assim podemos realmente avançar todos no conhecimento da verdade.

Por fim um ultimo ponto que gostaria de compartilhar convosco: o contributo da educação para semear a esperança. O homem não pode viver sem esperança e a educação gera esperança. Na verdade, a educação é um fazer nascer, é um fazer crescer, se colocada na dinâmica de dar a vida. E a vida que nasce é a fonte mais transbordante de esperança; uma vida que busca o belo, o bom, o verdadeiro e na comunhão com os outros tem em vista um crescimento comum. Estou convencido de que os jovens de hoje precisam, sobretudo, de ter esta vida que constrói o futuro. Portanto, o verdadeiro educador é como um pai e uma mãe que transmite uma vida capaz de um futuro. Para ter esta têmpera é necessário ouvir os jovens: o "trabalho do ouvido." Colocar-se a escutar os jovens! Vamos fazê-lo, de modo paticular, no próximo sínodo dos bispos dedicado precisamente aos jovens.

Pois a educação, tem em comum com a esperança o mesmo ‘tecido’, o risco. A esperança não é um otimismo superficial, nem mesmo a capacidade de olhar para as coisas com benevolência, mas antes de tudo é saber como arriscar no caminho certo, tal como a educação.

Queridos irmãos e irmãs, as escolas e universidades católicas dão um grande contributo para a missão da Igreja quando estão ao serviço do crescimento em humanidade, no diálogo e na esperança. Agradeço-vos pelo trabalho realizado com vista a tornar as instituições educativas lugares de experiências de evangelização. Invoco sobre vós o Espírito Santo, por intercessão de Maria, Sede da Sabedoria, para que renda eficazmente o vosso ministério a favor da educação. E peço-vos, por favor, orem por mim. D coração vos abençoo. Obrigado.

Tradução: Departamento de Comunicação SNEC

Imagem: Toscana Oggi




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