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Fátima: A interioridade em análise numa jornada de formação para docentes

Na manhã deste sábado, dia 19 de novembro, cerca de 150 professores de 45 escolas católicas reuniram-se em Fátima para a formação “«Educar para a Interioridade».

A iniciativa, parceria entre o Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) e a Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) contou com a orientação da especialista Elena Andrés, especialista em Educação para a Interioridade e coordenadora do projeto DEBIR da diocese de Vitoria-Gasteiz, Espanha.

No início da sua apresentação a conferencista afirmou que “não podemos ser o que somos chamados a ser sem voltarmos a olhar para o nosso interior” e recordou que ao longo da história da humanidade, “em todas culturas e tradições que olharam para o interior”, aconteceu a descoberta “do amago e o sentido da existência”.

Partindo da experiência de interioridade de santo Inácio de Loyola, Elena Andrés afirmou que “no século XVI Inácio percebeu que para compreender Deus e entender o que o rodeia necessita recolher-se dentro de si mesmo” para o “ele próprio deixe, como nos diz um autor do século XIV, de ser para si o grande mistério de si mesmo”.

Deste modo voltar ao “seu centro” implica, em ultima análise, “voltar a Deus” sendo este “um voltar a olhar para o nosso interior, voltar a ser pai e mãe de si, de modo a propiciar o encontro com Deus.”

Para ser possível, num mundo plural, a redescoberta do interior humano é fundamental que “a escola esteja atenta e atuante perante a complexidade cultural, social, politica e económica”, numa clara alusão ao espirito do Concilio Vaticano II que pedia à Igreja uma atenção redobrada aos “sinais dos tempos”.

A especialista lembrou que este trabalho “tem muito sentido no mundo atual porque a crise do sistema neo-liberal” conduziu o ser humano à “perda do sentido da interioridade”.

Educar a Interioridade: Caminho gratuito, não forçado

Situando a educação para a interioridade como “uma busca pessoal pelo mais profundo de mim” a docente afirmou que este projeto deve “pressupor a gratuidade” não se constituindo, à priori, como um “conjunto de aprendizagens que permitem o ser humano voltar a Deus ou formatar cristãos” mas tentar criar “as condições de possibilidade para que a pessoa se abra ao profundo da vida, ao profundo se si mesmo, do alteridade, as relações vividas com profundidade, e que possa, no final e se Deus o quiser, abrir-se a Deus”.

Para Elena Andrés uma tentação das escolas católicas passa por “não estar ainda no tempo presente” e continuar a trabalhar a dimensão religiosa partindo “de pressupostos que já não existem no ocidente”. Daí ser urgente “preparar o lugar interior de cada um” pois se este “não está preparado o anuncio que fazemos de Deus cai em saco roto”:

“O nosso trabalho tem de ser como que água suave que empapa a terra e não como a pedra que esmaga”.

Uma pastoral de caminho

Consciente das mutações dos últimos séculos a especialista convidou as escolas católicas a predisporem a sua forma de fazer pastoral educativa deixando de lado “a tentação de controlar tudo”. Um dos ganhos do processo de personalização foi, na sua opinião, a ascensão do individuo, único e irrepetível. Deste modo “devemos deixar de lado os muitos mapas e rotas que fomos criando no processo de educar a interioridade e aceder a Deus” para, lado a lado com as novas gerações, reaprendermos “o valor do caminhar juntos partindo da gratuidade de cada um e deixando que Deus seja Deus”.

Objetivos da Interioridade: Facilitar processos de identidade pessoal

“Facilitar processos de unificação da pessoa” através da “construção da unidade com os outros, com o mundo e com Deus” foram apresentados como dois dos “objetivos da interioridade”.

Elena Andrés sustentou que “trabalhar a interioridade nas escolas pressupõe dotar os alunos de um conjunto de ferramentas que lhe vão servir para o futuro como pessoas”:

“Trabalhar a interiodade é dotar os alunos de autonomia. Mas uma autonomia longe do individualismo da sociedade ocidental. Um dos frutos disto é a incapacidade de dialogo, de considerar sempre os outros como errados ou mentirosos. É urgente voltar a estabelecer o diálogo enquanto caminho a verdade. Eu a ofereci, tu acolheste-a e devolveste a mim. Construir a unidade tem a ver com saber dialogar”.

Na parte final da sua conferência a especialista basca explicou aos participantes os “três conteúdos básicos” de um projeto de educação para a espiritualidade:

“A educação para a interioridade começa com um trabalho corporal na consciência de que eu sou eu no meu corpo e com o meu corpo. Cremos num Deus encarnado ou não?”, questionou.

Um segundo conteúdos é a “integração Emocional” pois é importante “integrar as emoções dentro do meu processo de crescimento pessoal e espiritual. Permitir que a vida e Deus me emocionem”, apontou.

Só após estes dois “conteúdos básicos estarem trabalhados” é possível o terceiro que passa pela “abertura à Transcendência”, sustentou:

“Devemos entender esta ultima como a capacidade para contactar com o profundo da vida. Com as experiências que me deixam sem palavras”.

Nova data de formação para o Porto

No final da conferência a professora Elisa Urbano, do Departamento das Escolas Católicas do SNEC, a gradeceu a presença de todos e prometeu uma “nova data” de formação para “tantos que não puderam estar aqui hoje por questões de espaços”.

Assim a especialista Elena Andrés vai estar de volta a Portugal para nova formação que decorrerá no Porto no dia 29 de abril de 2016.




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