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Destaques

D. Tomaz Silva Nunes: Lisboa recebe a Missa de 7º dia

A igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, recebe, amanhã, dia 7 de Setembro, pelas 19h30, uma celebração eucarística, pela intenção de D. Tomaz Silva Nunes. A Eucaristia vai ser presidida pelo bispo auxiliar de Lisboa D. Joaquim Mendes.

Webmaster|2010-09-06|22:52:11


Um homem que dedicou a sua vida à educação

O Secretariado Nacional da Educação Cristã considera a morte de D. Tomaz Barbosa da Silva Nunes, como "uma perda muito grande" para a Igreja e para a Educação Católica, e presta homenagem a um homem "que dedicou a sua vida pessoal e profissional à educação".

O bispo auxiliar de Lisboa iria cumprir o último ano de mandato como presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

Um dos seus últimos actos tinha sido trabalhar, com muito empenho, na realização do Seminário sobre as Escolas Católicas, uma iniciativa que arrancou precisamente no dia de hoje, 1 de Setembro.

"Quando procedi à abertura do Seminário, dizia que era com grande alegria que procedia ao meu primeiro acto oficial com director do secretariado nacional da educação cristã (SNEC). Mal sabia eu que iria misturar esse sentimento de alegria, com outro de consternação", refere Acácio Lopes.

Para o recém-nomeado director nacional do SNEC, o momento é de "grande transtorno e dilaceração do coração".

"Nestes momentos, apetece o silêncio, não há palavras que valham, só a fé e a esperança", acrescenta o mesmo responsável.

Acácio Lopes recorda D. Tomaz Nunes como "um homem cheio de experiência e muito trabalhador, que dedicou toda a sua vida pessoal e profissional à educação".

O director da SNEC tinha-se encontrado com o bispo "ainda há dois dias", para uma primeira reunião do secretariado depois das férias, e ele estava "bastante entusiasmado, vendia energia", garante Acácio Lopes.

"Este seminário, para o qual ele trabalhou muito para que fosse realizado, é um tributo para ele" sublinha ainda, numa homenagem à sua memória.

Cristina Sá Carvalho, enquanto psicóloga e responsável pelo departamento de formação e edição do SNEC, trabalhou muitos anos com D. Tomaz Nunes, tendo desenvolvido muitos projectos, não apenas a nível nacional mas também no plano diocesano, em Lisboa, em várias escolas.

"Era um companheiro extraordinário e um grande chefe e amigo. Gostei muito de trabalhar sob as suas ordens, tinha um entusiasmo enorme, na área da educação, e fazia-o com imensa criatividade, com método e seriedade, uma personalidade jovial. Ainda não interiorizei bem esta notícia", refere aquela responsável.

Cristina Sá Carvalho conheceu D. Tomaz Nunes ainda antes de ser bispo, na escola católica, onde tinham amigos em comum.

"Conversávamos muito sobre educação e eu achava muito positivo que houvesse um padre que soubesse tanto sobre esta matéria, que percebesse o quotidiano da escola" sublinha a psicóloga.

"Alguns anos mais tarde, começámos a trabalhar juntos e desde que o conheço, como bispo, mostrou sempre esse conhecimento, interesse e entusiasmo", revela.

Do ponto de vista humano, Cristina Sá Carvalho recorda "muitas situações difíceis que passaram", na resolução de problemas relacionados com a pastoral educativa, e destaca "a sua ética impecável, e o seu esforço constante por interpretar as situações e tomar as decisões correctas, independentemente daquilo que fosse o seu desejo pessoal, o que é muito raro encontrar hoje em dia".

A responsável pelo departamento de formação e edição do SNEC termina revelando as palavras do seu último encontro com D. Tomaz Nunes, esta semana:

"Quando reunimos para preparar o novo ano, ele sublinhou como aspectos fundamentais o cuidado a ter com as pessoas, a vontade de que todos trabalhássemos em equipa, numa forma muito descontraída, muito natural, o que me vai marcar para sempre, na minha vida pessoal e profissional".

D. Tomaz Barbosa da Silva Nunes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, faleceu durante a noite desta Quarta-feira, 1 de Setembro, aos 67 anos.

O corpo de D. Tomaz está na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, onde foi baptizado e ordenado Bispo.

Às 22h00,  o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, dirige o Ofício de Defuntos na mesma igreja.

A missa exequial, marcada para esta Quinta-feira, 2 de Setembro, às 11 horas, vai também ser presidida pelo Cardeal Patriarca.

Webmaster|2010-09-01|18:40:42|AE


Mensagem da FSNEC

A Equipa do Secretariado Nacional da Educação Cristã comunica, consternada, a partida, para a casa do Pai, do rev. sr. D. Tomaz Silva Nunes.

Elevamos ao Céu a nossa oração e pedimos a todos os educadores cristãos portugueses que partilhem connosco este sentimento de fé e esperança.

A Equipa do SNEC

 

 

2010-09-01 | 15:08

Comunicado Final da Assembleia Plenária Extraordinária da CEP

1. Os Bispos de Portugal estiveram reunidos, de 14 a 16 de Junho de 2010, na Casa de Nossa Senhora das Dores, do Santuário de Fátima, para participar nas «Jornadas Pastorais do Episcopado».

Este ano tiveram por tema: «Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal - Interpelações sócio-culturais». Participaram também delegados das dioceses e dos institutos religiosos. Intervieram como conferencistas quatro Bispos (D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP; D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa; D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém; e D. António Marto, Bispo de Leiria‑Fátima) e quatro personalidades do mundo cultural português (Guilherme de Oliveira Martins, Manuel Braga da Cruz, Helena Matos e António Pinto Leite).

Procurou‑se detectar e interpretar os sinais interpelantes para a Igreja, partindo da actual situação em Portugal, a nível económico, social e cultural, a fim de poder discernir por que caminhos nos guia o Espírito de Deus, e assim responder, com coragem e esperança, aos desafios do nosso tempo para servir mais e melhor os nossos contemporâneos.

Em anexo, segue o Instrumento de trabalho que orientará o itinerário sinodal da Igreja em Portugal até Novembro de 2011: objectivos a alcançar num clima de discernimento pastoral; passos e etapas deste caminho; leitura da situação actual com vista a uma nova maneira de ser Igreja; questões que pedem resposta no discernimento pastoral.

2. Na manhã do dia 17 de Junho realizou‑se uma Assembleia Plenária Extraordinária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), no mesmo local em Fátima. Assinalam‑se em seguida alguns pontos mais relevantes.

3. A Visita do Santo Padre Bento XVI a Portugal foi tema de reflexão da Assembleia Plenária. Explicitam‑se os seguintes pontos:

- A gratidão e o júbilo da Igreja em Portugal, por este acontecimento de extraordinária relevância, já foram destacados, pelo Conselho Permanente do Episcopado, na mensagem do dia 19 de Maio. Aqui se faz o seguinte apelo: «As interpelações lançadas aos vários sectores da vida pastoral merecem cuidadosa atenção e serão acolhidas no modo de repensar e estruturar a Igreja, no incentivo inovador da caridade, na valorização missionária e nas propostas de uma cultura credível e convincente».

- Foi sublinhada a adesão vibrante do povo de Portugal, incluindo da faixa etária juvenil, que, em sucessivas assembleias de centenas de milhares de fiéis, participou nas celebrações presididas pelo Santo Padre.

- As propostas e desafios que o Papa Bento XVI nos deixou precisam de ser lidos, reflectidos e rezados, a fim de que se tornem operativos. O precioso tesouro da passagem entre nós do Sucessor de Pedro não pode ficar escondido nos arquivos nem perdido na saudade desse acontecimento profundamente festivo. Tem que ser posto a render para que as nossas Igrejas locais se revitalizem, ultrapassando rotinas e desalentos, e sejam mais santas, criativas e apostólicas.

- O programa em que a nossa Igreja está empenhada «Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal» deverá ter sempre presente as mensagens que o Santo Padre nos deixou, como fonte de inspiração, como incentivo e norma de acção.

- Os discursos e homilias do Papa em Portugal deverão também ser recordados e aplicados nas diversas acções de pastoral: cursos e retiros, pregações e palestras, planos pastorais e outras iniciativas...

4. A Assembleia Plenária apreciou e aprovou o Catecismo do 4º ano de Catequese, a nível nacional.

5. Tendo falecido recentemente o Sr. D. Carlos Francisco Martins Pinheiro, a Assembleia manifestou o seu pesar e a gratidão pelo seu serviço pastoral como Bispo Auxiliar de Braga.

6. Tendo o Santo Padre nomeado, para Bispo de Viana do Castelo, o actual Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Anacleto Cordeiro Gonçalves Oliveira, os Bispos de Portugal manifestaram o seu júbilo solidário e os votos orantes de frutuoso ministério pastoral.

7. Estando para completar sete anos como Director do Secretariado Geral do Episcopado, o P. Joaquim Manuel Garrido Mendes pediu para ser substituído. A Assembleia manifestou o seu grande agradecimento pela qualidade do serviço realizado. Para o substituir foi eleito o P. Manuel Joaquim Gomes Barbosa, também da Congregação dos Sacerdotes Dehonianos, actual Presidente da CIRP.

8. Na Assembleia Plenária do passado mês de Abril, foi aprovada a Carta Pastoral sobre o rosto missionário da Igreja. Não foi logo publicada para que nela fossem inseridos os desafios que o Papa iria dirigir à Igreja de Portugal, a este propósito, por ocasião da sua recente visita apostólica. Feito este trabalho, é hoje publicada a presente mensagem que será uma ajuda para a revitalização das nossas comunidades cristãs.

Fátima, 17 de Junho de 2010

Webmaster|2010-06-18|10:21:17


Destaque da CEEC no Comunicado final da Assembleia Plenária em Fátima

10. Os presidentes das Comissões Episcopais apresentaram à Assembleia alguns assuntos no âmbito das suas áreas de acção. A este respeito, destacamos:

 

- O Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã referiu as principais acções desenvolvidas pela Comissão desde a última Assembleia, designadamente nos domínios do Ensino e da Catequese, e os resultados positivos que foram obtidos; deu conta do andamento do trabalho de elaboração dos novos Catecismos e Manuais de Educação Moral e Religiosa Católica; informou das actuais exigências do Decreto-Lei nº. 43/2007, de 22 de Fevereiro, relativas à aquisição de "habilitação profissional" para a docência, obtida através do grau de mestrado, e da necessidade de os professores de Educação Moral e Religiosa Católica se pautarem pelo regime geral. Nesse sentido, sublinhou a necessidade de qualificar as instâncias diocesanas, até agora credenciadas para a formação nesta área, de modo a constituir-se uma rede eficaz de formação daqueles professores, a partir da Universidade Católica Portuguesa.

Leia o INFORM deste mês da Comissão Episcopal da Educação Cristã

Leia o comunciado Final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

Pedro Quintans | 2010-04-16 | 14:53

Documentos para download:

Encontro nacional avalia catequese em mudança

O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã considera que a catequese está a passar de um modelo que "durante muito tempo" privilegiou a teoria, para uma abordagem que inclui aspectos ligados aos sentidos e à acção. 

O ensino dos fundamentos da fé é "antes de tudo uma experiência de vida cristã, onde entram conteúdos, testemunhos, oração, celebração litúrgica e vivência da caridade na comunidade", explicou D. Tomaz Silva Nunes à Agência ECCLESIA. 

O prelado adverte que não se pode transformar a antiga insistência "nas noções e no aspecto mais racional" noutro extremo "em que esta dimensão é esquecida, sobrevalorizando-se a experiência que sublinha os aspectos emotivos". 

A adesão dos jovens a Jesus e à Igreja exige a aplicação de "metodologias adequadas" que englobem todas as dimensões da fé, pelo que é preciso conjugá-las "com equilíbrio e harmonia".

O bispo auxiliar de Lisboa chama também a atenção para a importância dos exemplos: "Quando os adolescentes sentem que há jovens e adultos que têm uma fé vivida com alegria e que é determinante para os valores e critérios que inspiram a sua vida e os comprometem na acção, eles sentem-se interpelados e seduzidos". 

Este responsável caracterizou a adolescência como "um tempo de desabrochar repentino e acidentado", marcado pelo corte das "amarras da dependência familiar" e abertura à "relação com os outros", o que não a impede de expressar e aprofundar a espiritualidade cristã. 

"Às vezes há a ideia de que os adolescentes não conseguem concentrar-se, mas a verdade é que conseguem fazer silêncio e entrar dentro de si", salienta o prelado, referindo que eles aderem "com muito interesse e entusiasmo quando as propostas são exigentes e profundas em termos de conhecimento e vivência espiritual".

D. Tomaz Silva Nunes vai presidir esta Terça-feira à abertura do Encontro Nacional da Catequese, que decorre no Funchal até 8 de Abril.

A iniciativa, que conta com a presença de cerca de 50 participantes de todo o país, será dedicada ao tema "A Catequese dos Adolescentes", entendidos como os jovens inscritos entre o 7.º e o 10.º - e último - ano da catequese.

"Pretendemos aprofundar o conhecimento sobre esta faixa etária como etapa muito importante do desenvolvimento humano e da estruturação da personalidade, onde o conhecimento e a adesão a Jesus Cristo são um grande desafio", diz o prelado, que destaca o carácter abrangente dos assuntos a desenvolver no encontro.


"Rever a Vida à Luz da Mensagem Cristã"

Disponibilizamos a homilia de D. Tomaz Silva Nunes, presidente da CEEC, por ocasião da celebração da quarta-feira de Cinzas na Sé Patriarcal de Lisboa.

Rever a Vida à luz da Mensagem Cristã O propósito para a Quaresma

 

Homilia da Missa de Quarta-feira de Cinzas,
Sé Patriarcal, 17 de Fevereiro de 2010

 

1. A Liturgia da Palavra desta Quarta-feira de Cinzas convida-nos a uma atitude de renovação profunda, pela penitência e a conversão.

Na primeira leitura (cf. Jl 2, 12-18), o profeta Joel congrega todo o Povo de Deus e, em nome de Deus, dirige um apelo à conversão: "Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e rico de misericórdia".

A conversão não é um mero sentimento nem um episódio momentâneo. É renunciar à auto-suficiência e abrir-se à comunhão com o Deus único, entregando-se a Ele com uma confiança sem limites na certeza de que, por maiores que sejam as crises da história, Deus não deixa confundidos aqueles que o temem (cf. Jl 2, 26-27).

No Evangelho de hoje (cf. Mt 6, 1-6; 16-17), Cristo denuncia as manifestações correntes de falsa piedade ligadas às práticas da oração, da esmola e do jejum, marcadas pela ostentação. Já anteriormente tinha advertido seriamente os seus discípulos que ultrapassassem uma certa mentalidade e prática do seu tempo: "Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu" (Mt 5, 20). Agora, sublinha outros sinais que hão-de distinguir os Seus discípulos: as boas obras não devem ser feitas diante dos homens, para deles se receber notoriedade. Por isso, a oração, a esmola e o jejum devem viver-se na intimidade, com discrição e simplicidade, e na alegria de um coração renovado. São atitudes novas, que contrastam com os formalismos e a ostentação daqueles que, vazios de densidade espiritual, mais se assemelham a actores que querem cativar a atenção dos seus espectadores.

As nossas práticas religiosas só ganham pleno sentido quando brotam de uma vida interior abrasada pela fé, alimentam a nossa comunhão com Deus, a quem prestamos louvor, e nos comprometem na caridade. Vivamos, pois, com este espírito aquelas boas obras a que Cristo se referia e que se tornaram os grandes pilares da espiritualidade quaresmal.   

2. Rever a Vida à luz da Mensagem Cristã é o nosso propósito para a Quaresma. Façamo-lo, movidos pelas Mensagens de Sua Santidade o Papa Bento XVI e de Sua Eminência o Cardeal-Patriarca de Lisboa.

O Santo Padre propõe-nos uma reflexão e uma consequente mobilização em torno da temática da Justiça.  

Cristo é a justiça de Deus, manifestada no amor levado ao extremo na Sua entrega na cruz, sacrifício expiatório de que resulta o perdão do pecado da humanidade e a reconciliação com Deus. O justo é aquele que reconhece o amor Deus demonstrado em Cristo, que morreu por nós, para nos salvar (cf Rm 5, 8). O justo é o que vive da fé em Cristo (cf. Rm 1, 17), deixando-se conquistar e transformar pelo Seu amor.

Como diz o Papa Bento XVI, "converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência, a indigência dos outros e de Deus, enfim, descobrir a necessidade do Seu perdão e da Sua amizade". Esta experiência da acção transformadora de Cristo, prossegue o Santo Padre, fortalece o cristão e leva-o "a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem, e onde a justiça é vivificada pelo amor".    

3. A sociedade actual, em profunda mudança nos seus diversos sectores, requer a actuação dos cristãos na linha da construção da justiça, como fruto do amor a Cristo e expressão do amor ao próximo. Destaco, pela gravidade de muitas situações humanas, o mundo do trabalho.

O trabalho é, efectivamente, uma actividade humana essencial: através do trabalho, o homem e a mulher buscam a subsistência pessoal e familiar, desenvolvem capacidades, participam na obra da criação e na redenção, desenvolvem talentos, realizam a sua vocação e contribuem para a construção do bem comum.

A fragilidade dos vínculos laborais, a desigualdade de oportunidades de acesso ao trabalho, a crescente incerteza acerca das perspectivas de emprego e a intensidade de certos ritmos de trabalho criam uma inquietação generalizada nos jovens, porque agudizam as dificuldades de construírem ideais de longo prazo e de firmarem compromissos duráveis, e introduzem na vida de muitas famílias um clima de instabilidade, desencontro e intranquilidade face ao futuro. Uma certa tendência de fazer prevalecer a defesa de direitos em detrimento dos deveres a cumprir, que marca empresários e trabalhadores, fomenta o individualismo, mina a qualidade do trabalho, gera resistências nos dadores de trabalho e declina a qualidade ética da sociedade.  

"O trabalho é um bem de todos, que deve estar disponível para todos aqueles que são capazes de trabalhar: o «pleno emprego» é, portanto, um objectivo obrigatório para todo o ordenamento económico, orientado para a justiça e para o bem comum. Uma sociedade em que o direito ao trabalho seja esvaecido ou sistematicamente negado e no qual as medidas de política económica não consintam aos trabalhadores alcançar níveis satisfatórios de emprego «não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social» (CA 43)" (Compêndio da Doutrina Social da Igreja 288).

Há, pois, que vencer o conformismo e o fatalismo, e transformar as situações com a participação de todos, porque "o factor decisivo e o «árbitro» desta complexa fase de mudança é uma vez mais o homem, que deve ser o verdadeiro protagonista do seu trabalho" (Ibid. 317).

4. O Santo Padre, na sua Mensagem, afirma que a injustiça, fruto do mal, tem origem não só em causas exteriores ao homem mas, acima de tudo, "no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal".

Decisiva é, pois, a conversão do coração. Por isso, não basta, renovar estruturas e produzir leis para obter a justiça. Só com a ajuda da graça de Deus, que transforma o coração do homem, este pode libertar-se da auto-suficiência e do egoísmo e converter-se ao amor que gera a justiça.

Como dizia São Paulo na primeira leitura: " É este o tempo favorável, é este o dia da salvação" (2 Cor 6, 2). Façamos, pois, desta Quaresma um tempo de profunda Revisão de Vida. Reconciliados com Deus e convertidos de coração, sejamos, como o Apóstolo, "embaixadores" de Cristo, construindo a justiça, designadamente no mundo do trabalho, a partir do Evangelho e do ensino da Igreja.

5. A Quaresma deste ano antecede a visita do Santo Padre à nossa diocese, no próximo dia 11 de Maio.

Em comunhão com o Senhor Cardeal-Patriarca, lembro o apelo que dirigiu aos fiéis do Patriarcado na sua Mensagem para a Quaresma: "A Quaresma será, também, um tempo forte de preparação dessa visita. Para que ela seja, para os cristãos de Lisboa, um momento de graça, ela tem de significar um reencontro de cada um de nós com Nosso Senhor Jesus Cristo, com a Sua Páscoa libertadora (...) Espero que todos preparem na Quaresma o seu coração para a surpresa de Deus na Páscoa deste ano; só isso os tornará acolhedores à palavra do Papa. A celebração do Terreiro do Paço tem de ser a Páscoa continuada". 

Irmãos e irmãs,

Rasguemos os nossos corações e não as nossas vestes.

Que a caminhada de conversão da Quaresma nos prepare para a celebração do Mistério Pascal. Unidos a Cristo Ressuscitado, com Ele ressuscitaremos para a luz da vida.

 

+ Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes
Bispo Auxiliar de Lisboa

Mensagem da CEEC para a Semana Nacional da Educação Cristã 2009

M E N S A G E M

Educação Cristã: um Serviço e um Compromisso

1. A educação é tão importante na vida do ser humano que, sem ela, ninguém cresce harmoniosamente e ultrapassa um estilo de vida marcado pela vulgaridade. É que a educação proporciona a cada ser humano o conhecimento de si próprio, a consciência da necessidade dos outros para a sua própria realização, a abertura às dimensões espiritual e transcendente da vida, e o empenho crescente no seu próprio desenvolvimento e na construção da sociedade em que está inserido. A educação é um contributo indispensável para o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Ainda recentemente, o Papa Bento XVI, atento às necessidades do nosso tempo, sublinhava que a educação é uma grande "emergência" no mundo de hoje[1]. Por isso, as dificuldades que os educadores sentem para enfrentar os novos desafios não podem conduzir ao desânimo e ao enfraquecimento do seu empenho.

Todos estamos cientes de que os obstáculos e insucessos com que os educadores se defrontam podem e devem ser superados. O compromisso de cada um dos educadores é a via prioritária para o fazer. A todos é hoje lançado o repto de imprimir, na sua acção quotidiana, um dinamismo novo de criatividade e solidariedade.

2. A Igreja sempre assumiu a educação como um imperativo da sua missão evangelizadora, consciente de que é através da educação que se constrói a realização humana e o futuro da própria humanidade. Por isso, empenha-se em promover a educação cristã, como um serviço e um compromisso: serviço do "homem novo"[2] e de uma sociedade renovada, nos quais estão directamente envolvidos a Família, a Escola, a Paróquia e os Movimentos e Associações laicais.

3. A Semana Nacional da Educação Cristã de 2009 acontece no decorrer do Ano Sacerdotal. Por isso, a nossa Mensagem dirige-se em primeiro lugar aos sacerdotes; e, em seguida, a todos quantos trabalham no mundo da educação cristã.

Pelo sacramento da Ordem, os sacerdotes são constituídos "educadores da fé"[3]. É essa uma missão ampla e essencial, porque a educação da fé é a trave mestra da educação cristã. Reveste-se de múltiplas formas, requer o vigor da dimensão missionária e exige formação actualizada e doação permanentes[4].

3.1. Apelamos aos sacerdotes a que, no conjunto das suas múltiplas tarefas e constantes solicitações, dêem especial atenção à Catequese em todas as idades. Sendo, embora, a catequese de adultos ponto de referência para a catequese em todas as idades, há que dar atenção particular à infância e adolescência, nesta fase importante de lançamento de novos catecismos.

A comunidade cristã é, no seu conjunto, responsável pela catequese, como seu sujeito, ambiente e meta[5]. Mas os sacerdotes, como pastores que orientam as comunidades, têm uma tarefa especial:

"São eles que podem ‘suscitar e alimentar uma verdadeira paixão pela catequese, que se concretize numa organização adaptada e eficaz' (João Paulo II. Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, n. 63). Compete aos pastores procurar que a catequese seja, efectivamente uma actividade prioritária na missão pastoral dedicando-lhe ‘os melhores recursos de pessoal e de energias, escolhendo e formando pessoas qualificadas' (ibid., n. 15). Pertence também aos pastores suscitar a corresponsabilidade da comunidade pela catequese e integrar a acção catequética na pastoral global, ‘cuidando especialmente da ligação entre catequese, sacramentos e liturgia' (Congregação para o Clero. Directório Geral da Catequese, 225)"[6].

Os bispos contam com o empenho de todos os sacerdotes na renovação da Catequese e que o integrem como alimento fecundo do seu caminho para a santidade.

3.2. A educação cristã não se restringe à Catequese. Começa na Família e prolonga-se na Escola, que lhe presta um contributo subsidiário, sendo frequentemente apoiada, mormente nos adultos, pelos Movimentos e Associações laicais.

Por isso, é indispensável que os sacerdotes acompanhem de perto as famílias na sua tarefa educativa, oferecendo-lhes propostas de catequese de adultos, procurando empenhá-las na catequese dos filhos e motivando-as para a inscrição dos mesmos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.

A missão evangelizadora das comunidades cristãs e dos seus pastores, em particular, requer especial atenção ao meio social em que as comunidades estão inseridas, às culturas locais e às instituições educativas que as integram, as quais oferecem, com frequência, um conjunto de potencialidades educativas nem sempre suficientemente reconhecidas e valorizadas pelas comunidades cristãs.

Neste sentido, intensifiquem os párocos o diálogo e o trabalho conjunto com os professores de Educação Moral e Religiosa Católica e com os demais agentes educativos, a fim de os apoiarem na sua missão, de lhes proporcionarem um enquadramento comunitário e de procurarem uma maior harmonia entre as acções pastorais desenvolvidas nas escolas e nas paróquias.

4. O Ano Sacerdotal não diz apenas respeito àqueles que estão investidos do sacerdócio ministerial. Todos os baptizados passam a fazer parte integrante da Igreja, Povo Sacerdotal. O próprio ministério do sacerdote "existe em favor da Igreja; é para a promoção do exercício do sacerdócio comum de todo o Povo de Deus"[7]. E só nesta ligação tem sentido.

Por isso, dirigimos também uma palavra às famílias - sobretudo aos pais e aos avós, os quais desempenham na actualidade um papel tão significativo no apoio que prestam aos filhos e na transmissão de valores fundamentais e do testemunho de fé junto dos netos -, aos catequistas, aos professores - de Educação Moral e Religiosa Católica e de outras disciplinas - e aos responsáveis das escolas católicas.

É uma palavra, em primeiro lugar, de reconhecimento pelo bem prestado pela Igreja à sociedade, através da dedicação e competência com que desempenham o seu trabalho. Em segundo lugar, de incentivo a que façam das suas vidas uma oferta permanente de louvor a Deus, em comunhão eclesial.

 Assim, com o empenho de todos na área da educação - na fidelidade aos valores e critérios do Evangelho e na comunhão dos diversos ministérios e carismas -, contribuiremos, neste Ano Sacerdotal, para o crescimento da Igreja, Povo Sacerdotal, ao serviço da construção de um mundo renovado e com futuro.

Nossa Senhora das Dores, a quem diante da cruz de seu Filho uma espada trespassou a sua própria alma[8], nos acompanhará e ajudará, com o seu amor de Mãe, a vencer todos os obstáculos, com esperança e alegria. 

Festa de Nossa Senhora das Dores

Lisboa, 15 de Setembro de 2009

A Comissão Episcopal da Educação Cristã


[1] Cf. Bento XVI. Carta à Diocese de Roma sobre A Tarefa urgente da Formação das Novas Gerações.  Vaticano, 21 de Janeiro de 2008.

[2]  Cf. Col 3, 10.

[3] Concílio Vaticano II. Presbyterorum Ordinis, Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros, n. 6. Cf. Congregação para o Clero. Directório Geral da Catequese, n. 224.

[4]  Cf. Bento XVI. Discurso durante a audiência concedida à Congregação para o Clero. Vaticano, 16 de Março de 2009.

[5]  Cf. Conferência Episcopal Portuguesa. Para que tenham a Vida. Orientações para a Catequese actual. Fátima, 23 de Junho de 2005, pp 7 e 20.

[6]  Ibid., p. 22.

[7]  João Paulo II. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores Dabo Vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais. Roma, 25 de Março de 1992, n. 16.

[8]  Cf. Lc 2, 35.


"Cuidar da vida até à morte: Contributo para a reflexão ética sobre o morrer"

Nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa

1. A discussão em curso na nossa sociedade

A dignidade da pessoa na fase final da vida tem sido, nos últimos meses, objecto de debate na sociedade portuguesa. A opinião pública, e os cidadãos em particular, são confrontados com muitos dos problemas que, justamente, são motivo de preocupação e de reflexão, sejam eles de natureza ética, social, assistencial ou económica.

Muitas das questões actualmente em discussão são de todos os tempos, pois têm a ver com a dificuldade em integrar a morte no horizonte da própria vida. Outras são típicas da nossa época, porque resultam das condições que as novas possibilidades da medicina nos proporcionam. Uma observação atenta das intervenções que surgem nos meios de comunicação social mostra uma grande falta de rigor na terminologia usada; e é visível que, por vezes, se pretende validar opções inaceitáveis (morte directa de um paciente) aplicando o termo "eutanásia" a situações que não o são de facto,  e que podem ser eticamente aceitáveis.

Os Bispos de Portugal, sabendo da importância destes problemas, da intenção que, a nível político, se tem manifestado no sentido de produzir legislação neste âmbito e perante a ambiguidade de muitos dos conceitos que são usados, pretendem, com esta intervenção, dar um contributo para o debate em curso e oferecer aos católicos algumas linhas de orientação que devem ser tidas em conta nas suas reflexões.

2. A visão cristã de um problema não confessional

Será conveniente recordar que esta não é uma discussão de carácter religioso ou confessional, embora algumas posições possam ser incompatíveis com a visão cristã da vida e do homem. Ao pensar sobre opções de carácter jurídico ou ético, é necessário, portanto, questionarmo-nos sobre aquilo que é importante para uma vida verdadeiramente humana, sobre o que é decisivo na realização da pessoa, sobre os valores autênticos de humanidade, sobre o modelo de sociedade em que queremos viver.

É a este nível que se torna decisivo o contributo das intuições que brotam da fé cristã. A revelação bíblica mostra-nos a existência humana como resultado da bondade divina, isto é, como um dom que suscita em nós gratidão e não nos dispensa da responsabilidade de cuidar dele. Para o crente, a vida não está à inteira disposição de quem quer que seja, não é arbitrariamente disponível, mas tem de ser respeitada como a condição básica de realização pessoal. A vida humana é prévia a qualquer projecto pessoal, por isso ninguém é senhor absoluto da sua própria vida e muito menos senhor da vida dos outros. O valor da vida humana não brota das valorizações que a sociedade atribui ou dos critérios que no momento são socialmente significativos, mas de uma dignidade prévia a qualquer criteriologia. O suporte desta dignidade é a própria condição humana, que, para o cristão, tem origem na bondade criadora de Deus e no amor salvífico de Jesus Cristo.

Esta visão crente da vida leva-nos também a encarar com realismo os limites naturais da existência humana, já que, numa perspectiva de fé, a realização plena e definitiva da pessoa só é possível na vida em Deus. O testemunho dos mártires cristãos mostra-nos que não é sensato para o crente lutar pela vida a todo o custo. O horizonte da eternidade valoriza e, ao mesmo tempo, relativiza a vida biológica de cada pessoa. Por outro lado, a afirmação da convicção de que só Deus é o Senhor da vida, não retira ao homem a sua responsabilidade de procurar as melhores opções para cuidar da vida que tem diante de si. Cada pessoa deve ser respeitada como sujeito da sua própria existência e nunca simplesmente como objecto do qual se possa dispor arbitrariamente.

3. O morrer na cultura actual

Estas convicções da fé cristã necessitam permanentemente de ser confrontadas com os desafios e as exigências de cada época. Algumas características da cultura contemporânea deram origem a um modo próprio de abordar não só os problemas relacionados com o processo de morrer, mas também a própria morte e o sofrimento humano.

Por um lado, tornou-se dominante uma concepção de autonomia em que a liberdade individual é elevado a direito absoluto. O homem actual quer não só ser protagonista da sua própria história, mas ter nas mãos todos os processos da sua vida. É neste sentido que parece aliciante poder antecipar a morte ou prolongar o processo de morrer, de acordo com o que no momento for tido como mais vantajoso.

Por outro lado, os desenvolvimentos técnico-científicos no campo biomédico levantam problemas inéditos e apresentam questões inevitáveis. As novas possibilidades que nos são oferecidas pela medicina também tornam mais complexas as situações com que nos deparamos no âmbito dos cuidados de saúde e do acompanhamento a doentes terminais. A diversidade de opções gera perplexidade a quem tem de decidir.

A estes factores circunstanciais acresce o facto de o próprio processo de morrer se ter transformado: o morrer tornou-se mais longo; na maior parte das vezes morre-se em hospitais ou centros clínicos, nos ambientes anónimos e frios das instituições; o sofrimento associado a longas doenças terminais causa uma insegurança adicional; diversos factores contribuem para que os moribundos vivam uma solidão preocupante; o excesso de tecnologia põe em causa os esforços por humanizar o cuidado dos doentes.

4. Critérios éticos

É num contexto marcado por estes desafios que tanto os profissionais de saúde como todas as pessoas envolvidas com estas situações necessitam de critérios éticos que orientem no sentido de uma autêntica humanização da fase terminal da vida.

4.1. A obrigação moral de garantir à vida humana uma especial protecção está testemunhada em preceitos primordiais da humanidade, com expressões diversas em todas as culturas, e codificada no mandamento bíblico do Decálogo: "Não matarás" (Dt 5,17). A consciência moral das gerações que nos precederam e o próprio magistério da Igreja procuraram, ao longo dos tempos, com os recursos culturais de cada época, encontrar expressões e concretizações actualizadas deste mandamento, no sentido de elevar e purificar as exigências morais nele contidas. O respeito por este imperativo é certamente incompatível com qualquer forma de agressão directa à vida humana, sempre que ela não ponha em causa a existência de outras pessoas.

4.2. Consequentemente, é eticamente inaceitável qualquer forma de eutanásia, isto é, qualquer "acção ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte" (1). Nem sequer o objectivo de eliminar o sofrimento ou livrar a pessoa de um estado penoso pode legitimar a eutanásia, tanto mais que a medicina e a sociedade dispõem de outros meios para socorrer os pacientes em fase terminal. Equivalente à eutanásia, do ponto de vista ético, é qualquer forma de ajuda ao suicídio, também designado suicídio assistido.

A eutanásia é concretização de um desejo que o homem contemporâneo tem de se apoderar da morte, antecipando-a para a situar no momento que ele próprio determina, resultado de um medo angustiante e desesperado perante o sofrimento. A eutanásia é frequentemente apresentada como um gesto de humanidade ou de compaixão que pretende respeitar a dignidade com que cada ser humano quer viver. Na realidade, porém, e numa linha de princípio, qualquer forma de eutanásia constitui uma renúncia a acompanhar a pessoa doente, traduz a falta de empenho de uma sociedade em procurar meios que permitam viver dignamente todas as fases da existência humana. É, por isso, uma violação, ainda que consentida, da dignidade fundamental que se deve reconhecer a cada ser humano. A eutanásia ou a ajuda ao suicídio são formas desumanas de lidar com a pessoa que vive o seu processo de morrer, constituem "uma ofensa à dignidade da pessoa humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade" (2).

4.3. Distinta desta atitude de agressão à vida humana, é a legítima renúncia a recorrer a todos os meios para manter viva uma pessoa em estado terminal. A obstinação terapêutica, também conhecida por "encarniçamento terapêutico" ou "distanásia", seria precisamente o recurso a um conjunto de intervenções médicas já desproporcionadas face ao bem global que a pessoa poderá vir a experimentar.

Do ponto de vista da ética, reconhece-se uma diferença fundamental entre matar e deixar morrer, quando esta última opção não for equivalente a negligência, mas for concretização do respeito pelo curso normal da vida humana. Esta distinção ética encontra apoio também na já referida concepção cristã da vida, segundo a qual a vida humana é um valor fundamental ainda que não absoluto. É moralmente legítimo, portanto, renunciar aos meios que tenham por finalidade prolongar a vida quando da sua aplicação não se esperem resultados terapêuticos ou ela implique o sacrifício de valores fundamentais para a pessoa em causa.

Também esta renúncia a "tratamentos que dariam somente um prolongamento precário e penoso da vida" (3) pode ser considerada uma opção de respeito pela vida, já que proteger a vida não significa prolongá-la a todo o custo. O respeito pela vida humana não se reduz a uma protecção incondicional da vida biológica, mas deve incluir também o empenho por garantir todos os elementos que tornam humana essa vida. O direito a uma morte digna pode significar também não esgotar todos os meios médicos, quando tal signifique apenas um prolongamento do morrer.

4.4. Na procura de critérios éticos é fundamental também a distinção entre matar e acompanhar o morrer. Esta última é a opção concretizada, por exemplo, nos cuidados paliativos. Trata-se de aceitar todos os cuidados e intervenções médicas que tenham por objectivo tornar o sofrimento mais suportável, diminuindo ou eliminando a dor, proporcionando todo o acompanhamento humano possível e criando as necessárias condições para um cuidado global (holístico) à pessoa em causa. O Magistério católico ensina, já há várias décadas, que é moralmente aceitável suprimir a dor por meio de narcóticos, mesmo que isso implique limitar a consciência ou abreviar a vida (4).

Parece-nos que seria de evitar a expressão "ajudar a morrer", dada a sua acentuada ambiguidade, não sendo claro o que se quer indicar com ela, e tendo em conta que as expressões equivalentes noutras línguas são usadas para referir aquilo que designámos por "suicídio assistido".

5. Opção por um morrer humano

Recordamos que todas as orientações éticas têm como objectivo encontrar concretizações de um morrer verdadeiramente humano. O que está em causa é a preservação da dignidade da pessoa em algo que é decisivo e constitutivo de todo o projecto pessoal de vida. Isto inclui certamente fazer aquilo que é razoavelmente possível para que o paciente preserve as condições de sujeito da sua própria história. Na medida do possível, "não se deve privar o moribundo da consciência de si mesmo, sem motivo grave" (5), uma vez que também nos momentos finais da vida cada pessoa deve estar em condições de poder assumir as suas responsabilidades morais, de relacionar-se com as pessoas que lhe são significativas e de viver todo este processo no contexto da sua relação com Deus.

Uma humanização do morrer é incompatível com a eliminação do sujeito que morre, pois não tem em conta a globalidade das suas necessidades. As súplicas de quem sofre, muitas vezes desejando terminar com a situação de dor, mais do que um desejo de morrer, são sobretudo o apelo a uma presença marcada pelo amor, a formas concretas de solidariedade e expressões da necessidade de perspectivas de esperança. Para isto, é necessário criar condições que humanizem a fase terminal, para que a pessoa possa ter um morrer humano: disponibilizar os meios que retirem ou reduzam o mais possível a dor, dar ao doente acesso aos meios médicos de que necessita, assegurar um acompanhamento humano personalizado, garantir ao paciente que não será abandonado à solidão em nenhum momento da sua fase final, permitir-lhe a presença das pessoas que lhe são mais queridas, facilitar-lhe a vivência das suas convicções religiosas e a satisfação das suas necessidades espirituais, possibilitar um acompanhamento psicológico, respeitar os seus valores e legítimos desejos, criar condições de confiança.

Numa sociedade cada vez mais dominada pela exigência de produtividade material e regida por critérios de utilidade, é fundamental transmitir a todos os pacientes, e com maior razão aos que se encontram em estado terminal, que a sua vida é sempre preciosa e valorizada, mesmo nas circunstâncias dolorosas em que se encontram, que não são um fardo para os outros, e que a sua vida continua a ser significativa para a comunidade a que pertencem.

Sabemos que num mundo onde só têm visibilidade os bem-apresentados, os corpos atléticos e estéticos, se torna difícil aceitar como parte da vida social um corpo desfeito pela doença e martirizado pela dor. Na perspectiva cristã, o sofrimento, a doença e a morte são partes da vida e têm de ser integradas no projecto pessoal de vida. Também por isso, a humanização do morrer deve incluir um respeito profundo pela pessoa doente e um cuidado dedicado das suas necessidades. Um morrer humano e digno exige todas as condições de um acompanhamento global da pessoa que tenha em consideração todos os aspectos da vida humana.

Uma vida humana nunca perde sentido nem dignidade. Também o envelhecer e o morrer se integram no sentido da vida humana e reflectem a dignidade humana da pessoa. "O amor para com o próximo [...] torna capaz de reconhecer a dignidade de cada pessoa, mesmo quando a doença veio pesar sobre a sua existência. O sofrimento, a idade avançada, o estado de inconsciência, a iminência da morte não diminuem a dignidade intrínseca da pessoa, criada à imagem de Deus" (6).

6. Uma sociedade com lugar para todos e uma vida com espaço para a morte

O recurso aos princípios éticos não ignora que as circunstâncias concretas escapam habitualmente a todas as tentativas de regulamentação jurídica ou deontológica. Aos cristãos pede-se que façam a sua reflexão sobre estes problemas em diálogo com os homens e mulheres de boa vontade, certamente à luz dos dados da sua fé, num esforço por procurar um nível elevado de moralidade.

Mesmo admitindo que algumas situações são demasiado complexas para proferirmos juízos prévios, e sabendo que nenhum preceito moral tem em conta a diversidade de situações que a vida apresenta, a legitimação jurídica da eutanásia ou do suicídio assistido teria como consequência uma pressão inevitável sobre todas as pessoas cuja vida não correspondesse aos padrões de realização que são dominantes em determinada sociedade. Facilmente surgiria um grupo de não desejados, vistos como peso da sociedade. Pessoas gravemente doentes ou em estado terminal não podem ter de modo algum a impressão de serem indesejadas, mas devem sentir de modo reforçado que são preciosas e queridas, e que a sociedade não se dispensa de fazer tudo o que está ao seu alcance para as valorizar e integrar.

Para além da discussão sobre a legitimidade moral de optar por alguma forma de auto‑determinar o final da vida, parece-nos fundamental reavivar uma leitura da vida humana, suportada pela fé cristã mas também pelas tradições humanistas da nossa cultura, em que a morte seja integrada como momento significativo da vida de uma pessoa e ao sofrimento seja reconhecida a possibilidade de se integrar no horizonte de sentido da existência humana. A este propósito pode ser iluminadora a afirmação de São Paulo: "Nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Rm 14,7-8). Como explica João Paulo II, "morrer para o Senhor significa viver a própria morte como acto supremo de obediência ao Pai [...]; viver para o Senhor significa também reconhecer que o sofrimento, embora permaneça em si mesmo um mal e uma prova, sempre se pode tornar fonte de bem" (7). O cristão encontra o sentido redentor do sofrimento humano, unindo‑se a Cristo, no mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Antecipar a morte, pelo suicídio assistido ou pela eutanásia, ou prolongar desproporcionadamente o processo de morrer, tem como resultado uma expropriação da morte, retirando ao indivíduo a possibilidade de um morrer pessoal, no respeito pelos tempos necessários a uma integração da dor e da morte no sentido global da existência humana. A doença e a morte são processos pessoais, que, ao mesmo tempo, exprimem a individualidade de cada pessoa e determinam a atitude pessoal perante a própria história. De facto, a maneira de morrer pode ser decisiva quanto ao sentido de toda uma vida. A morte não é um problema a solucionar, mas um mistério que envolve e provoca toda a vida.

7. Gratidão e esperança

Por último, os Bispos de Portugal desejam enaltecer e agradecer:

- o exemplo de generosa dedicação de tantas e tantos que acompanham e servem doentes crónicos, deficientes profundos e outras pessoas que dependem fundamentalmente da ajuda que recebem;

- o empenho dos profissionais de saúde que se dedicam à investigação para a superação da dor e aos que se entregam aos cuidados paliativos, oferecendo a qualidade de vida possível a incontáveis pessoas em situações de grande debilidade;

- o testemunho de tantas pessoas com doenças graves, profundamente limitadas, que são um exemplo de aceitação e alegria e nos desafiam a sair da mediocridade estéril do egoísmo em favor de um amor generoso sem fronteiras...

Todos estes são a melhor resposta a quem julga ser uma boa causa promover a legalização da eutanásia; os seus testemunhos são maravilhosos hinos à vida, que devemos sempre proteger.

Fátima, 12 de Novembro de 2009

NOTAS:

1 - JOÃO PAULO II, Evangelium vitae, Vaticano 1995, n. 65.

2 - CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração sobre a Eutanásia (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), II.

3 - CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração sobre a Eutanásia (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), IV.

4 - Cf. PIO XII, Discurso a um grupo internacional de médicos (24.02.1957), in: AAS 49 (1957), 145; CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração sobre a Eutanásia (5.05.1980), in: AAS 72 (1980), 547; JOÃO PAULO II, Evangelium vitae, Vaticano 1995, 65.

5 - PIO XII, Discurso a um grupo internacional de médicos (24.02.1957), in: AAS 49 (1957), 145.

6 - JOÃO PAULO II, Discurso aos participantes no XIX Congresso Internacional do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, 12.11.2004, n. 3.

7 - JOÃO PAULO II, Evangelium vitae, Vaticano 1995, 67.

Conferência Episcopal Portuguesa

Webmaster|2009-11-13|11:57:39 

 


Bispos vão publicar nota sobre eutanásia

Assembleia de Fátima vai também preparar visita de Bento XVI a Portugal

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) vai publicar na próxima semana uma Nota Pastoral sobre "a eutanásia e o testamento vital", no decorrer da sua 173ª Assembleia Plenária. A reunião magna decorre na Casa de Nossa Senhora das Dores, Santuário de Fátima, de 9 a 12 de Novembro.

Já no passado mês de Junho, a CEP lamentara a "relativa pressa com que assunto de tanta transcendência foi tratado na Assembleia da República, com falta de participação prévia da sociedade civil". O programa do Governo, que começou a ser discutido esta Quinta-feira na Assembleia da República, retomará as iniciativas para "a promoção dos direitos dos doentes, designadamente o direito ao consentimento informado (incluindo o testamento vital)".

Um testamento vital é um documento em que consta uma declaração antecipada de vontade, que alguém pode assinar quando se encontra numa situação de lucidez mental para que a sua vontade, então declarada, seja levada em linha de conta quando, em virtude de uma doença, já não lhe seja possível exprimir livre e conscientemente a sua vontade.

"Se isto significar uma porta aberta à eutanásia e avançar numa legislação rumo à eutanásia, nessa altura pronunciar-nos-emos", indicava a CEP, na sua última assembleia.

Para os Bispos portugueses, "sendo claramente admissível este género de testamento, nomeadamente para impedir futuros tratamentos inúteis ou desproporcionados, é fundamental que se evite tudo o que possa ir contra a integridade da vida humana até ao seu fim natural".

"Importa proporcionar a quem se encontra numa situação de particular enfermidade ou na fase terminal da vida, toda a solicitude fraterna e a ajuda dos cuidados paliativos e da terapia da dor", defendem.

Os Bispos consideram que "é prioritário lutar contra tudo o que possa ser cultura da morte e promover a cultura da vida e da solidariedade".

Viagem papal

De entre os temas agendados para a reunião da próxima semana destaca-se ainda a preparação da visita de Bento XVI a Portugal (Maio de 2010). Uma Nota Pastoral sobre "a missão dos leigos na Igreja e no mundo" e a apresentação dos Decretos-Lei que regulam a assistência espiritual e religiosa são outros assuntos que estarão em cima da mesa.

A sessão de abertura, em que usará da palavra o Presidente da Conferência Episcopal, D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo de Braga, terá lugar às 16h00 do dia 9 de Novembro, Segunda-feira, estando aberta aos diversos órgãos de comunicação social.

O P. Manuel Morujão, Secretário da CEP, facultará aos jornalistas uma breve informação no dia 11 de Novembro, às 12h45.

Para a comunicação televisiva será facultada a recolha de imagens no dia 9 de Novembro, Segunda-feira, durante a sessão de abertura, e no dia 12 de Novembro, Quinta-feira, às 10h00.

Depois do encerramento da Assembleia haverá, no dia 12 de Novembro, às 14h00, no mesmo local, uma conferência de imprensa na qual será apresentado o Comunicado Final.

Webmaster|2009-11-06|10:17:05|AE


Homilia da Missa de Encerramento da Semana Nacional da Educação Cristã 2009

 

Homilia da Eucaristia de encerramento da Semana Nacional da Educação Cristã

Igreja da Gafanha da Nazaré

+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro

1.Iniciámos há um mês o novo ano escolar. As escolas prepararam o começo de um novo ano com a expectativa própria de quem tudo deve fazer para que os alunos aí encontrem um ambiente de serenidade tranquila e de alegria motivadora para o trabalho a realizar. Habituada a este ritmo do início de cada tempo lectivo, a Igreja preparou-se e mobilizou-se para o novo ano catequético e para o novo ano escolar, com novos catecismos e novos manuais. Nas famílias, nas escolas e nas comunidades cristãs é a vida que se acolhe como dom e como esperança, em cada ano que começa. Para que as famílias, as escolas e as comunidades cristãs realizem esta missão é imprescindível a presença activa e atenta e é necessário o trabalho dedicado e generoso de pais, professores, catequistas e sacerdotes.

2. A Semana Nacional da Educação Cristã que agora se conclui deseja afirmar a importância que a Igreja dá à família, à escola e à comunidade como elos essenciais da sociedade e servidores da educação das crianças, dos jovens e dos adultos. A vida das nossas terras tem mais sentido e maior encanto com a presença e com o trabalho das escolas ao longo do tempo lectivo e com a acção pastoral das comunidades. É a vida transbordante de alegria e de esperança que habita as casas, percorre os caminhos, preenche por inteiro as escolas e dinamiza as comunidades cristãs. Todos sabemos quanto recebemos da família, da escola e da comunidade onde nascemos, crescemos e vivemos. A família, a escola e a comunidade modelam o nosso ser e o nosso agir e preparam-nos para o futuro como pessoas, como cidadãos e como crentes. Daí a sua imensa importância e a sua indispensável missão. A Semana da Educação Cristã é uma bela oportunidade para dizer aos pais, aos professores, aos catequistas e a todos os educadores, uma palavra de alegria, de comunhão e de gratidão e para ajudar a construir entre todos os agentes educativos um ambiente de paz, no coração das pessoas e no seio das instituições. É este também o modo como a Igreja vê a sua missão evangelizadora ao assumir a educação cristã como um serviço e como um compromisso: "serviço do homem novo e de uma sociedade renovada".

3. Em pleno Ano Sacerdotal vivido em Igreja por todos os baptizados, membros de um verdadeiro povo sacerdotal, tem todo sentido sublinhar a mensagem que a Comissão Episcopal da Educação Cristã dirige aos sacerdotes, como "educadores da fé". Como "pastores que orientam as comunidades", os sacerdotes devem dar "especial atenção à catequese em todas as idades" e fazer da catequese uma actividade prioritária, suscitando e alimentando nas comunidades uma verdadeira paixão pela catequese. Este empenho pela catequese constituirá para os sacerdotes, a exemplo de todas as actividades do ministério, um "alimento fecundo do seu caminho para a santidade". Uma das missões particularmente importantes no ministério dos sacerdotes e na acção pastoral da Igreja consiste em estabelecer uma articulação e relação entre a comunidade, a escola e a família. Este diálogo deve implicar um trabalho conjunto entre párocos, famílias, catequistas, professores de Educação Moral e Religiosa Católica e outros agentes educativos " a fim de os apoiarem na sua missão, de lhes proporcionarem um enquadramento comunitário e de procurarem uma maior harmonia entre as acções pastorais desenvolvidas nas famílias, nas escolas e nas paróquias".

4. A Palavra de Deus, hoje proclamada, indica-nos a prudência e a sabedoria como fundamentos desta missão de educadores da vida e da fé. "Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. Decidi ter a sabedoria como luz, porque o seu brilho jamais se extingue" (Sab.7, 7 e 10). Deus comunica-nos esta sabedoria através da sua Palavra: "Palavra viva e eficaz, capaz de discernir os pensamentos e sentimentos e intenções do coração", como nos diz a Carta aos Hebreus (Heb 4, 12). Este elogio à Palavra de Deus convida-nos a acolher esta Palavra divina, fonte da sabedoria humana. A pedagogia expressa nos novos catecismos e nos manuais de Educação Moral e Religiosa Católica ajuda-nos a saborear esta Palavra de Deus nas catequeses, nas celebrações e nas aulas e daí partirmos para os diálogos de família, para os momentos de escuta pessoal, para as etapas de formação nos movimentos apostólicos e para tantas perguntas a fazer e respostas a procurar. O Evangelho fala-nos de um destes momentos em que se ouve a Palavra de Deus através do diálogo entre Jesus e um homem que O procura e lhe pergunta: " Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?" (Mar 10, 17). Neste diálogo está presente a atitude de um homem, rodeado de coisas e envolvido de riquezas, trazido por uma busca interior de algo diferente que lhe preenchesse o íntimo da alma e o vazio do coração.

Jesus convidou este homem que queria ser perfeito e alcançar a vida eterna, a libertar-se do peso das riquezas, dos embaraços da vida, das peias do medo e das limitações impostas à sua liberdade de decidir. E o jovem, no dizer de outro evangelista, não foi capaz de voar mais alto, de ir mais longe, de se fazer ao largo no mar imenso do sonho, de seguir o Mestre no caminho da perfeição, de se dar por inteiro a Deus, de servir os irmãos mais pobres, no despojamento total e feliz. Sentiu-se triste por não ser livre. Não avançou na perfeição porque estava preso aos bens que possuía. Faltou-lhe coragem para seguir Jesus.

5. Neste diálogo, que devia ser um providencial encontro, está Jesus com uma invulgar pedagogia de acolhimento, de caridade e de verdade, de quem sabe conjugar a compreensão e a exigência, o amor e a liberdade. Neste diálogo estamos todos nós, ali representados por aquele homem que procura Jesus, que quer dialogar com Ele, que sente vontade de ser melhor. Nesta procura de Jesus estais vós, crianças e jovens, famílias e escolas, catequistas e professores, educadores e sacerdotes. A decisão do jovem não nos surpreende, mas deixa-nos tristes como deixou Jesus, porque lhe quer bem e era outro o caminho que Deus tinha pensado para ele. O olhar triste de tanta gente que connosco cruza nos caminhos da vida deve-se tantas vezes ao excesso de riquezas mal distribuídas que atrofiam a liberdade e impedem a generosidade. Falta à sociedade do nosso tempo coragem e lucidez para perceber que a felicidade e a perfeição se encontram numa vida sóbria e digna que nos faz desprendidos e generosos, solidários e irmãos com os mais pobres. A Palavra de Deus ao tocar o coração humano como aconteceu a tantos discípulos de Jesus ao longo dos séculos e como acontece também hoje deve ajudar-nos a intervir e a transformar as estruturas humanas, culturais e sociais do nosso tempo. A missão dos sacerdotes, dos catequistas e dos educadores e o trabalho das famílias, das escolas e das comunidades não se limitam ao seu espaço circunscrito e à sua primeira e natural esfera de acção. Não há educação da fé sem empenho na transformação do mundo e sem intervenção social solidária. A alegria e a felicidade dos discípulos de Jesus consistem em diariamente trabalhar com a inteligência e com o coração para que, pela justiça e pela caridade, o mundo se transforme e o Reino de Deus aconteça.

6. Neste trabalho e nesta missão temos esperança de encontrar abertura e co-responsabilidade em todos os que hoje vão ser eleitos para o serviço das autarquias locais. Em Portugal, a educação está cada vez mais vinculada às autarquias locais como serviço de proximidade e deve merecer a quantos exercem este serviço à comunidade uma progressiva atenção na certeza de que da qualidade do serviço educativo depende o bem das crianças e dos jovens e a construção do bem comum. Todos somos imprescindíveis e indispensáveis para fazer da educação o caminho necessário e sublime do desenvolvimento da pessoa e da sociedade e um dos dinamismos renovadores da vida da Igreja.

7. A Nossa Senhora, Mãe, Educadora e Mestra, confiamos os sonhos e projectos que desde o início, em cada ano, alimentamos nas famílias, nas escolas e nas comunidades cristãs, para que nos ajude a fazer de Portugal um país evangelizado e evangelizador e a construir em cada um de nós o ser humano à imagem de Seu Filho.

+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro

 

Fonte: Correio do Vouga
Webmaster|2009-10-11|23:37:31

Riquezas mal distribuídas atrofiam a liberdade e impedem a generosidade

O olhar triste de tanta gente que connosco cruza nos caminhos da vida deve-se tantas vezes ao excesso de riquezas mal distribuídas que atrofiam a liberdade e impedem a generosidade". Este foi, no momento que atravessamos, o alerta do Bispo de Aveiro e membro da Comissão Episcopal da Educação Cristã, D. António Francisco dos Santos, proferido na homilia da eucaristia conclusiva da semana nacional dedicada a este tema, celebrada na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, neste Domingo.

Depois de sublinhar a importância que a Igreja Católica dá à família, à escola e à comunidade, "como elos essenciais da sociedade e servidores da educação das crianças, dos jovens e dos adultos", D. António afirmou que a "vida das nossas terras tem mais sentido e maior encanto com a presença e com o trabalho das escolas ao longo do ano lectivo e com a acção pastoral das comunidades".

Lembrou "quanto recebemos da família, da escola e da comunidade onde nascemos, crescemos e vivemos", sendo certo que elas "modelam o nosso ser e o nosso agir", preparando-nos para o futuro "como pessoas, como cidadãos e como crentes".

O Bispo de Aveiro, ao dirigir-se aos sacerdotes, recomendou que todos devem dar especial atenção à catequese em todas as idades, fazendo dela "uma actividade prioritária, suscitando e alimentando nas comunidades uma verdadeira paixão" pela transmissão da fé, nos diversos espaços catequéticos.

D. António Francisco considerou particularmente importante no ministério dos sacerdotes e na acção da Igreja "uma articulação e relação entre a comunidade, a escola e a família".

E acrescentou: "Este diálogo deve implicar um trabalho conjunto entre párocos, famílias, catequistas, professores de Educação Moral e Religiosa Católica e outros agentes educativos, a fim de se apoiarem na sua missão, de lhes proporcionarem um enquadramento comunitário e de procurarem uma maior harmonia entre as acções pastorais, desenvolvidas nas famílias, nas escolas e nas paróquias."

O prelado aveirense ainda manifestou a esperança de que neste trabalho e nesta missão haja "abertura e co-responsabilidade em todos os que hoje vão ser eleitos para o serviço das autarquias locais". E frisou que a educação, estando cada vez mais vinculada às autarquias locais "como serviço de proximidade", deve merecer, a quantos exercem este serviço, "uma progressiva atenção na certeza de que da qualidade do serviço educativo depende o bem das crianças e dos jovens e a construção do bem comum".

Fernando Martins

Webmaster|2009-10-12|14:23:55


Educação com "valores e critérios"

A Semana Nacional de Educação Cristã termina no próximo Domingo. Ao longo de sete dias esta iniciativa pretende dar visibilidade a uma educação com "valores e critérios" e mostrando ser um contributo "para uma humanização".

D. Tomaz Silva Nunes, Bispo auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, explica ao programa ECCLESIA que a escola católica e outras instituições da Igreja têm como identidade própria "apresentar e promover" um projecto educativo onde a experiência da vida cristã no âmbito escolar seja uma "referência transmissora de critérios".

A escola católica tem hoje como desafio o "aprofundamento da sua identidade" num contexto onde a autonomia da escola "não é generalizada".

Bento XVI centrou a educação como uma emergência para as novas gerações no mundo de hoje. D. Tomaz Nunes acrescenta que a educação é o coração do desenvolvimento da pessoas e da sociedade.

"A educação permite o desenvolvimento de um sentido crítico, de um sentido para a própria vida. Só assim uma pessoa não vive de forma acrítica, mas imprime um novo sentido para a existência".

Bento XVI assinala também, no contexto Ocidental, um "desânimo entre os educadores". D. Tomaz Nunes indica que o desânimo resulta de muitos factores tais como a profunda transformação cultural, a fragilidade da família, a dispersão de sólidas referências para as crianças, isto no meio de "um manancial informativo que actualmente jovens, crianças e adultos têm acesso".

"Há uma proliferação de referências que torna difícil a tarefa do educador", mas, sublinha o Bispo, "este quadro não pode conduzir a um esmorecimento ou a um cruzar de braços. Somos capazes de ser criativos e procurar soluções".

Novos programas e materiais Os educadores católicos apostam na valorização humana e relacional. O Secretariado Nacional de Educação Cristã tem vindo a preparar e publicar novos programas e materiais de apoio que "ajudam a criar um espaço nas escolas onde os saberes, conhecimentos e experiências vão sendo adquiridas no currículo mas são interpretados à luz da fé cristã".

Este é um serviço que a Igreja presta em todas as escolas, indica D. Tomaz, sem pretender confundir os espaços catequéticos com os educativos, apesar de uma persistente ambiguidade. Os programas dos ensino básico e secundário estão organizados em função de competências a desenvolver no âmbito escolar.

Os programas escolares não se destinam apenas a alunos católicos. "Há pais que professam outras religiões, mas consideram que a Igreja Católica tem um conjunto de propostas de formação benéficas", refere o Presidente da Comissão Episcopal.

Livre escolha dos pais A escola católica é um modelo formativo que convive entre as demais propostas educativas, sejam elas privadas ou públicas.

Em alguns países caminha-se para a livre escolha dos pais. A liberdade de ensino não pressupõe a "supressão da escola estatal", indica o Bispo. A livre escolha deve resultar de um processo progressivo. Existe um ensino particular e cooperativo, confessional ou não, dispendioso e sem subsídios, e uma frequência escolar marcada pela área de residência dos alunos. "A mobilidade implica uma ultrapassagem destas fronteiras, sem prejuízo de apenas algumas crianças terem acesso a escolas de qualidade por maiores possibilidades financeiras".

O processo até chegar à livre escolha "é longo", mas é algo que a Comissão Episcopal da Educação Cristã deseja. "Quem está por dentro das matérias educacionais é unânime quanto à necessidade de uma maior livre escolha".

O lugar de EMRC D. Tomaz regista um progresso "neste ano lectivo" quanto aos problemas legislativos, inserção da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica na escola e ambiguidade de horários.

No entanto o Bispo assinala a tentativa crescente de "privatizar o religioso, enquanto questão de consciência, limitando as manifestações públicas", correspondendo à secularização da sociedade.

No final do ano lectivo transacto os professores de EMRC conseguiram ter um "reconhecimento explícito dos mesmos direitos e deveres em relação aos restantes professores".

No entanto, existem ainda ambiguidades na legislação em vigor. "Está desactualizada tendo em conta a evolução do sistema educativo".

A convergência entre a legislação e a Concordata de 2004 é um trabalho que está a ser desenvolvido pela Comissão Episcopal da Educação Cristã. "A lei ainda se refere a 1940".

Webmaster|2009-10-09|12:40:55|AE


Sessão Pública de apresentação de Projectos da FSNEC em Lisboa

Realizou-se, no passado dia  6 de Outubro, pelas 14h30, na sede da Universidade Católica Portuguesa a 1ª Sessão Pública de apresentação de publicações e projectos da Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã /FSNEC).

Em Semana Nacional da Educação Cristã estiveram em exposição os "novos materiais para a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica e a Catequese publicados pela FSNEC.

D. Tomaz Silva Nunes  deu as boas-vindas aos participantes e apresentar o "Fórum «Pensar a Escola, Preparar o Futuro»" que terá lugar me Lisboa no próximo ano.

Pelas 15h15 - foi feita a "apresentação da edição comentada da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa «A Escola em Portugal - Educação integral da Pessoa Humana" e de seguida tem lugar a "apresentação dos livros «Guia de Educação da Sexualidade» e «Conversar com os filhos sobre sexualidade», da autoria de Cristina Sá Carvalho, pelo Professor Doutor Daniel Serrão".

Do programa fez também parte a apresentação do projecto sobre catequese de adultos e catecumenado por D. António Marcelino.

A tarde terminou com a "apresentação do volume 2 do Curso Geral de Catequistas, «Doutrina - conteúdos bíblico-teológicos», pela autora, Mestre Maria Luísa Paiva Boléo".

Leia a Mensagem completa da Comissão Episcopal da Educação Cristã para a Semana Nacional aqui

Obtenha o programa e as acções completas da semana aqui

Leia a Homilia da eucaristia de abertura da Semana Nacional que aconteceu no passado domingo na Igreja de São Pedro, em Peniche.

 

Consulte o Calendário completo.

Webmaster|2009-10-06|13:44:40


Mensagem da CEEC para a Semana Nacional da Educação Cristã 2009

 

 

M E N S A G E M

Educação Cristã: um Serviço e um Compromisso

1. A educação é tão importante na vida do ser humano que, sem ela, ninguém cresce harmoniosamente e ultrapassa um estilo de vida marcado pela vulgaridade. É que a educação proporciona a cada ser humano o conhecimento de si próprio, a consciência da necessidade dos outros para a sua própria realização, a abertura às dimensões espiritual e transcendente da vida, e o empenho crescente no seu próprio desenvolvimento e na construção da sociedade em que está inserido. A educação é um contributo indispensável para o desenvolvimento integral da pessoa humana.

Ainda recentemente, o Papa Bento XVI, atento às necessidades do nosso tempo, sublinhava que a educação é uma grande "emergência" no mundo de hoje[1]. Por isso, as dificuldades que os educadores sentem para enfrentar os novos desafios não podem conduzir ao desânimo e ao enfraquecimento do seu empenho.

Todos estamos cientes de que os obstáculos e insucessos com que os educadores se defrontam podem e devem ser superados. O compromisso de cada um dos educadores é a via prioritária para o fazer. A todos é hoje lançado o repto de imprimir, na sua acção quotidiana, um dinamismo novo de criatividade e solidariedade.

2. A Igreja sempre assumiu a educação como um imperativo da sua missão evangelizadora, consciente de que é através da educação que se constrói a realização humana e o futuro da própria humanidade. Por isso, empenha-se em promover a educação cristã, como um serviço e um compromisso: serviço do "homem novo"[2] e de uma sociedade renovada, nos quais estão directamente envolvidos a Família, a Escola, a Paróquia e os Movimentos e Associações laicais.

3. A Semana Nacional da Educação Cristã de 2009 acontece no decorrer do Ano Sacerdotal. Por isso, a nossa Mensagem dirige-se em primeiro lugar aos sacerdotes; e, em seguida, a todos quantos trabalham no mundo da educação cristã.

Pelo sacramento da Ordem, os sacerdotes são constituídos "educadores da fé"[3]. É essa uma missão ampla e essencial, porque a educação da fé é a trave mestra da educação cristã. Reveste-se de múltiplas formas, requer o vigor da dimensão missionária e exige formação actualizada e doação permanentes[4].

3.1. Apelamos aos sacerdotes a que, no conjunto das suas múltiplas tarefas e constantes solicitações, dêem especial atenção à Catequese em todas as idades. Sendo, embora, a catequese de adultos ponto de referência para a catequese em todas as idades, há que dar atenção particular à infância e adolescência, nesta fase importante de lançamento de novos catecismos.

A comunidade cristã é, no seu conjunto, responsável pela catequese, como seu sujeito, ambiente e meta[5]. Mas os sacerdotes, como pastores que orientam as comunidades, têm uma tarefa especial:

"São eles que podem ‘suscitar e alimentar uma verdadeira paixão pela catequese, que se concretize numa organização adaptada e eficaz' (João Paulo II. Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, n. 63). Compete aos pastores procurar que a catequese seja, efectivamente uma actividade prioritária na missão pastoral dedicando-lhe ‘os melhores recursos de pessoal e de energias, escolhendo e formando pessoas qualificadas' (ibid., n. 15). Pertence também aos pastores suscitar a corresponsabilidade da comunidade pela catequese e integrar a acção catequética na pastoral global, ‘cuidando especialmente da ligação entre catequese, sacramentos e liturgia' (Congregação para o Clero. Directório Geral da Catequese, 225)"[6].

Os bispos contam com o empenho de todos os sacerdotes na renovação da Catequese e que o integrem como alimento fecundo do seu caminho para a santidade.

3.2. A educação cristã não se restringe à Catequese. Começa na Família e prolonga-se na Escola, que lhe presta um contributo subsidiário, sendo frequentemente apoiada, mormente nos adultos, pelos Movimentos e Associações laicais.

Por isso, é indispensável que os sacerdotes acompanhem de perto as famílias na sua tarefa educativa, oferecendo-lhes propostas de catequese de adultos, procurando empenhá-las na catequese dos filhos e motivando-as para a inscrição dos mesmos na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.

A missão evangelizadora das comunidades cristãs e dos seus pastores, em particular, requer especial atenção ao meio social em que as comunidades estão inseridas, às culturas locais e às instituições educativas que as integram, as quais oferecem, com frequência, um conjunto de potencialidades educativas nem sempre suficientemente reconhecidas e valorizadas pelas comunidades cristãs.

Neste sentido, intensifiquem os párocos o diálogo e o trabalho conjunto com os professores de Educação Moral e Religiosa Católica e com os demais agentes educativos, a fim de os apoiarem na sua missão, de lhes proporcionarem um enquadramento comunitário e de procurarem uma maior harmonia entre as acções pastorais desenvolvidas nas escolas e nas paróquias.

4. O Ano Sacerdotal não diz apenas respeito àqueles que estão investidos do sacerdócio ministerial. Todos os baptizados passam a fazer parte integrante da Igreja, Povo Sacerdotal. O próprio ministério do sacerdote "existe em favor da Igreja; é para a promoção do exercício do sacerdócio comum de todo o Povo de Deus"[7]. E só nesta ligação tem sentido.

Por isso, dirigimos também uma palavra às famílias - sobretudo aos pais e aos avós, os quais desempenham na actualidade um papel tão significativo no apoio que prestam aos filhos e na transmissão de valores fundamentais e do testemunho de fé junto dos netos -, aos catequistas, aos professores - de Educação Moral e Religiosa Católica e de outras disciplinas - e aos responsáveis das escolas católicas.

É uma palavra, em primeiro lugar, de reconhecimento pelo bem prestado pela Igreja à sociedade, através da dedicação e competência com que desempenham o seu trabalho. Em segundo lugar, de incentivo a que façam das suas vidas uma oferta permanente de louvor a Deus, em comunhão eclesial.

 Assim, com o empenho de todos na área da educação - na fidelidade aos valores e critérios do Evangelho e na comunhão dos diversos ministérios e carismas -, contribuiremos, neste Ano Sacerdotal, para o crescimento da Igreja, Povo Sacerdotal, ao serviço da construção de um mundo renovado e com futuro.

Nossa Senhora das Dores, a quem diante da cruz de seu Filho uma espada trespassou a sua própria alma[8], nos acompanhará e ajudará, com o seu amor de Mãe, a vencer todos os obstáculos, com esperança e alegria. 

Festa de Nossa Senhora das Dores

Lisboa, 15 de Setembro de 2009

A Comissão Episcopal da Educação Cristã


[1] Cf. Bento XVI. Carta à Diocese de Roma sobre A Tarefa urgente da Formação das Novas Gerações.  Vaticano, 21 de Janeiro de 2008.

[2]  Cf. Col 3, 10.

[3] Concílio Vaticano II. Presbyterorum Ordinis, Decreto sobre o ministério e a vida dos presbíteros, n. 6. Cf. Congregação para o Clero. Directório Geral da Catequese, n. 224.

[4]  Cf. Bento XVI. Discurso durante a audiência concedida à Congregação para o Clero. Vaticano, 16 de Março de 2009.

[5]  Cf. Conferência Episcopal Portuguesa. Para que tenham a Vida. Orientações para a Catequese actual. Fátima, 23 de Junho de 2005, pp 7 e 20.

[6]  Ibid., p. 22.

[7]  João Paulo II. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores Dabo Vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais. Roma, 25 de Março de 1992, n. 16.

[8]  Cf. Lc 2, 35.


Semana Nacional da Educação Cristã

Decorreu de 4 a 11 de Outubro a Semana Nacional da Educação Cristã.

Subordinada ao tema da mensagem da Comissão Episcopal da Educação Cristã "Educação Cristã: um Serviço e um Compromisso" a Semana ficou marcada por várias iniciativas que deram mais visibilidade à Educação Cristã em Portugal.

Programa da Semana Nacional da Educação Cristã

Dia 4 de Outubro

Às 11.00 horas: Celebração de Abertura, na Igreja Paroquial de S.Pedro, Peniche, Diocese de Lisboa, presidida por D. Tomaz Silva Nunes, Bispo Auxiliar de Lisboa, Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

De seguida tem lugar o programa 8º Dia subordinado à Semana Nacional da Educação Cristã na TVI.

Pelas 23h30 o programa "Ventos e Marés", da Rádio Renascença apresenta um especial acerca da Educação Cristã.

Dia 5 de Outubro

Programa Ecclesia, na RTP 2 pelas 18h30 com um especial Semana Nacional da Educação Cristã.

6 de Outubro

Às 15.00 horas, na Sala de Exposições da sede da Universidade Católica Portuguesa, tem lugar a primeira Sessão Pública de apresentação de publicações e projectos com o seguinte programa:

14.30 horas - Recepção aos participantes e exposição dos novos materiais, para a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica e a Catequese, publicados pelo SNEC.

15.00 horas - Boas-vindas.

- Divulgação do Fórum «Pensar a Escola, Preparar o Futuro». D.Tomaz Silva Nunes, Bispo Auxiliar de Lisboa, Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

- Divulgação do projecto de Catequese de Adultos. D.António Baltasar Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro e Vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

- Apresentação da edição comentada da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa «A Escola em Portugal - Educação integral da Pessoa Humana». Mestre Juan Ambrosio.

- Apresentação dos livros «Guia de Educação da Sexualidade» e «Conversar com os filhos sobre sexualidade», da autoria de Cristina Sá Carvalho. Professor Doutor Daniel Serrão.

- Apresentação do volume 2 do Curso Geral de Catequistas, «Doutrina - conteúdos bíblico-teológicos», pela autora. Mestre Maria Luísa Paiva Boléo.

16.00 horas - Diálogo com os participantes.

16.30 horas - Porto de Honra.

8 de Outubro

Às 21.00 horas,  no Instituto Universitário «Justiça e Paz», em Coimbra, tem lugar a segunda Sessão Pública de apresentação de publicações e projectos com o seguinte programa:

21.00 horas - Recepção aos participantes e exposição dos novos materiais para a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica e a Catequese publicados pelo SNEC.

21.15 - Boas-vindas

- Divulgação do Fórum «Pensar a Escola, Preparar o Futuro». D.Tomaz Silva Nunes, Bispo Auxiliar de Lisboa, Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

- Divulgação do projecto de Catequese de Adultos. D.António Baltasar Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro e Vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

- Apresentação da edição comentada da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa «A Escola em Portugal - Educação integral da Pessoa Humana». Mestre Jorge Cotovio.

- Apresentação dos livros «Guia de Educação da Sexualidade» e «Conversar com os filhos sobre sexualidade», da autoria de Cristina Sá Carvalho. Dr.ª Mary Anne Stilwell de Avillez, co-autora.

- Apresentação do volume 2 do Curso Geral de Catequistas, «Doutrina - conteúdos bíblico-teológicos», pela autora. Mestre Maria Luísa Paiva Boléo.

22.00 horas - Diálogo com os participantes.

22.30 horas -  Convívio.

11 de Outubro

Transmissão do Programa 70x7 especial "Semana da educação Cristã" a partir das 9h30 na RTP2

Eucaristia de Encerramento da Semana Nacional transmitida a partir da Igreja da Gafanha da Nazaré com presidência de D. António Francisco Santos, bispo de Aveiro e vogal da CEEC, transmitida pela Rádio Renascença a partir das 11h00.

Webmaster|2009-10-04|08:42:16


Conclusões do Simpósio do Clero

1.- O clero de Portugal deu uma resposta muito positiva ao convite para participar no VI Simpósio do clero. Mais de 800 inscrições são o melhor testemunho de uma forte adesão, alegre e agradecida, também por coincidir em pleno Ano Sacerdotal e sob o olhar da figura exemplar de sacerdote que foi São João Maria Vianey.

2.- Conferencistas prestigiados e de renome internacional garantiram a elevada qualidade da reflexão e a pertinência dos desafios lançados.

3.- O Simpósio foi, em si mesmo, um belo exercício de fraternidade e de comunhão entre bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas.

4.- Todos os oradores glosaram, em registos vários, mas consonantes, o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».

5.- Anselmo Grün e Amadeo Cencini, com a sua autoridade de psicólogos, recordaram-nos que a espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.

6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.

7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.

8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.

O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.

9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.

A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.

10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.

11.- Não se trata tanto de criar novas estruturas, mas de uma nova mentalidade, uma cultura de Formação Permanente.

12.-A Formação Permanente é a disponibilidade contínua e inteligente, activa e passiva, para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.

13.- Como nos disse o cardeal Cláudio Hummes: «a espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são: manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus; amar a Deus e deixar-se amar por Ele; viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana; celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial; recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão; viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério; doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos; ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».

14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.

15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.

Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)

16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.

17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.

18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.

19.- O Santo Cura D'Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».

Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos, outra forma de dizer, já há mais de 150 anos, a urgência do que hoje chamamos Formação Permanente.

20.- Os padres das várias dioceses reuniram com os seus bispos e manifestaram a alegria de participar no Simpósio, mutuamente se incentivando para encontrar formas de cultivo da fraternidade nos presbitérios.

21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»

Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.

Fátima, 4 de Setembro de 2009